domingo, 24 de julho de 2011




Um tempo atrás eu comentei com voce que havia achado duas cartinhas,
uma minha e outra de edgard.
Me lembro como se fosse hoje, ele devia ter uns oito ou nove anos e por conseguinte eu uns 38 ou 39.
Estávamos brincando no meu quarto do antigo apartamento e resolvemos que cada um teria que fazer um poema de amor. Um poema apaixonado.
Ele fez mesmo um poema. Eu não. Lá vai.

o dele: ( nessa época ele era apaixonado por Jéssica da classe dele no Madre de Deus)

O teu corpo reflete na minha alma
toda vez que teus olhos cruzam os meus

Meu coração bate mais forte
Só basta um toque meu na sua pele para eu
suar frio e me arrepiar.

Para mim ficar próximo de ti
significa um fenônemo bom mas
infelizmente pouco frequente.

Toda vez que te olho sinto vontade
de gritar para o mundo inteiro
Eu te amo!!!


Agora o meu que era um sonho......

Não estou à procura de um namorado.
Também não quero outro marido.
Queria mesmo era um melhor amigo
a quem eu pudesse dar a minha melhor risada.

Nada a representar, seríamos nós mesmos, com a aprovação
do amor de amigo um do outro.
Uma relação mais leve, sem cobranças nem expectativas
frustradas. Sem decepções.

Sair à noite com meu melhor amigo, muitas risadas e casos
contados. Cinema, ir à praia, confidências, broncas a resolver.

E o perigo iminente de nos apaixonarmos.


guardo estes dois papeis como um tesouro daquele instante onde ao improvisarmos nos abríamos.


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Domenico De Masi


Domenico De Masi , filosofo italiano nos ensina em seu livro Ócio Criativo:

Se os nosso bisavós padeciam do tédio dos dias sempre iguais , nós padecemos de vertigem por instantes sempre diversos, acelerados e excessivos, nos quais se orientam somente aqueles que, dotados de sabedoria, sabem viver com estilo, submetendo e sincronizando os ritmos frenéticos do mundo aos próprios biorritmos.

Quem não possui essa sabedoria, quem não sabe usufruir do luxo da pausa, deve entender que a felicidade e a alegria se encontram ao alcance das mãos e só o fato de tentarmos ir buscá-la, e quem quer que a busque já está de alguma forma no caminho dessa sabedoria.

Estamos desabituados de uma tal maneira a fazer as coisas com calma, que assim que dispomos de uma hora livre tratamos de enchê-la de tantos compromissos e tarefas que o tempo acaba sempre faltando!

Tempo e espaço, duas características mais importantes das nossas vidas, reduziram-se de tal forma que, dispor deles, isto é , ter tempo e espaço passou a ser um luxo.

A pressa tecnológica esconde-se em algo mais profundo: o medo da morte. Esse sentimento de achar que, por maior que seja o número de experiências que se consiga acumular, existirão sempre alegrias outras, belas, que não teremos tempo de experimentar ..

Daqui nasce a luta contra o tempo, para tentar roubar-lhe mais chances e ocasiões do que aquelas que o destino gostaria de nos conceder. Daqui brotam as infinitas artimanhas para conseguir economizar tempo, aviões , telefones , escutar rádio enquanto dirige, falar ao celular enquanto dirige, secretaria eletrônica etc. (diminuindo talvez a “qualidade” das experiências em prol da quantidade).

Neste ponto, é o nosso cérebro que corre o risco de entrar em parafuso. Depois de ter desencadeado a corrida contra o tempo, não consegue manter o passo e tenta se “virar em dois".

Enquanto faz uma coisa já está pensando em outra

.”A vida é – dizia Oscar Wilde – o que acontece enquanto estamos pensando em outra coisa “.

Dentro de nós , o impulso à pressa se alterna com o impulso à calma

.Mas o ócio é uma arte que temos que aprender ..

Danusa Leão - que mulher!



DANUZA LEÃO (O ESTADO DE SÃO PAULO)

Quantas mentiras nos contaram; foram tantas, que a gente
bem cedo começa acreditar, ainda por cima, se achar culpada por ser
burra, incompetente e sem condições de fazer da vida uma sucessão de
vitórias e felicidades.
Uma das mentiras: que nós, mulheres, podemos conciliar
perfeitamente as funções de mãe, esposa, companheira e
amante, e ainda por cima ter uma carreira profissional brilhante.
É muito simples: não podemos !!
Não podemos; quando você se dedica de corpo e alma a seu
filho recém-nascido, que na hora certa de mamar dorme e que à noite,
quando devia estar dormindo, chora com fome, não consegue estar bem sexy quando o marido chega,para cumprir um dos papéis considerados obrigatórios na trajetória de uma mulher moderna: a de amante.
Aliás, nem a de companheira; quem vai conseguir trocar
uma idéia sobre a poluição da Baía de Guanabara se saiu do trabalho e
passou no supermercado rapidinho para comprar uma massa e um molho já pronto para resolver o jantar, e ainda por cima está deprimida porque não teve tempo de fazer uma escova?
Mas as revistas femininas estão aí, querendo convencer
as mulheres e os maridos - de que um peixinho com ervas no forno com uma batatinha cozida al dente, acompanhado por uma salada e um vinhozinho branco é facílimo de fazer - sem esquecer as flores e as velas acesas, claro, e com isso o casamento continuará tendo aquele toque de glamour fun-da-men-tal para que dure por muitos e muitos anos.
Ah, quanta mentira!
Outra grande, diz respeito à mulher que trabalha; não à que
faz de conta que trabalha, mas à que trabalha mesmo.
No começo, ela até
tenta se vestir no capricho, usar sapato de salto e estar sempre
maquiada; mas cedo se vão as ilusões. Entre em qualquer local de trabalho pelas 4 da tarde e vai ver um bando de mulheres maltratadas, com o cabelo horrendo, a cara lavada, e sem um pingo do glamour - aquele - das executivas da Madison.
Dizem que o trabalho enobrece, o que pode até ser verdade.
Mas Ele também envelhece, destrói e enruga a pele, e quando se
percebe a guerra já está perdida.
Não adianta: uma mulher glamourosa e pronta a fazer todos os
charmes - aqueles que enlouquecem os homens - precisa, fundamentalmente, de duas coisas:tempo e dinheiro.
Tempo para hidratar os cabelos, lembrar de tomar seus 37
Radicais livres, tempo para ir à hidroginástica, para ter uma massagista
tailandesa e um acupunturista que a relaxe; tempo para fazer musculação,
alongamento,comprar uma sandália nova para o verão, fazer as unhas,
depilação; e dinheiro para tudo isso e ainda para pagar uma excelente empregada - o que também custa dinheiro.
É muito interessante a imagem da mulher que depois do
expediente vai ao toalete - um toalete cuja luz é insuportavelmente
branca e fria, retoca a maquiagem, coloca os brincos, põe a meia preta que
está na bolsa desde de manhã e vai, alegremente, para uma happy hour. Aliás, se as empresas trocassem a iluminação de seus elevadores e de seus
banheiros por lâmpadas âmbar, os índices de produtividade iriam ao infinito; não há auto-estima feminina que resista quando elas se olham nos espelhos desses recintos.

Felizes são as mulheres que têm cinco minutos - só cinco? para decidir a roupa que vão usar no trabalho; na luta contra o relógio o uniforme termina sendo preto ou bege, para que tudo combine sem que um só
minuto seja perdido.
Mas tem as outras, com filhos já crescidos: essas, quando chegam em casa,
têm que conversar com as crianças, perguntar como foi o dia
na escola, procurar entender por que elas estão agressivas, por que o
rendimento escolar está baixo.
E ainda tem as outras que, com ou sem filhos, ainda têm
um namorado que apronta, e sem o qual elas acham que não conseguem
viver (segundo um conhecedor da alma humana, só existem três coisas sem as quais não sepode viver: ar, água e pão).
Convenhamos que é difícil ser uma mulher de verdade; impossível, eu diria.

domingo, 13 de março de 2011

Mágoa - Augusto dos Anjos


ETERNA MÁGOA

Augusto dos Anjos

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!
*
*
Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.
*
*
Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim, não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda
*
*
Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!
FIM

sexta-feira, 11 de março de 2011

domingo, 6 de março de 2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

EU TE DEVORO


Teus sinais
Me confundem
Da cabeça aos pés
Mas por dentro
Eu te devoro,
Teu olhar
Não me diz exato
Quem tu és
Mesmo assim
Eu te devoro...

Te devoraria
A qualquer preço,
Porque te ignoro,
Te conheço,
Quando chove ou
Quando faz frio,
Noutro plano
Te devoraria
Tal Caetano
A Leonardo DiCaprio...

É um milagre,
Tudo que Deus criou
Pensando em você,
Fez a via-láctea
Fez os Dinossauros,
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu,
Sem contar os dias
Que me faz morrer,
Sem saber de ti
Jogado à Solidão,
Mas se quer saber
Se eu quero outra vida
Não! Não!


Eu quero mesmo é viver
Pra esperar, esperar
Devorar você...

sábado, 10 de julho de 2010

Preparação para a morte


a vida é um milagre
cada flor
com sua forma sua cor seu aroma
cada flor é um milagre
cada pássaro
com sua plumagem seu voo seu canto
cada pássaro é um milagre
o espaço infinito
o espaço é um milagre
o tempo infinito
o tempo é um milagre
a memória é um milagre
a consciência é um milagre
tudo é milagre
tudo menos a morte
bendita a morte
que é o fim de todos os milagres

Manuel Bandeira

AUSÊNCIA


A vantagem do blog amador é a ausência de compromisso de qualquer espécie inclusive de mim para comigo mesma.

Mas, minha nossa, meu último post foi 17 de maio ou seja há quase dois meses

E onde eu estava? Lendo lendo lendo e assistindo filmes. Pensei em vários posts mas não deu. O tempo todo penso em escrever mas penso muito mais em ler ai ai ai ai

domingo, 9 de maio de 2010

Só as mães são felizes?

























Todos os dias sou feliz como mãe e me sinto privilegiada neste quesito. Meus filhos são meus melhores amigos e eu não posso dizer o mesmo dos meus pais. Não sei quem eram os melhores amigos deles. O amor materno é um mito e todo amor tem que ser conquistado. Hoje posso dizer que a maternidade me trouxe uma lucidez

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Tempestade


Cadê a chuva que me prometeram? Esses homens do tempo são uma fraude. Esses romanos são todos uns loucos.

Choveu de manhã e como diria minha amiga Naymme "segunda é um belo dia para chover" (devia chover a cântaros toda segunda-feira), mas não choveu quase nada.

Queria era uma tempestade com direito a trovões e relâmpagos de arrepiar, o mar ficando tenebrosamente encrespado. O dia ficando noite e a gente lendo livros que ninguém conhece, escrevendo bobagens e tomando prosecco no café da manhã.

domingo, 25 de abril de 2010

Chã Grande é assim

Amigos queridos, papo interessante, risada gostosa, horta orgânica, vinho, terra, fogo, água e ar puro.
Esse painel de azulejos acima da pia do gazebo foi pintado, nos anos 70, por Dona Célia mãe de Celina. Presente para a sua casa da Barra no Rio de Janeiro. Celina negociou a casa que foi demolida por uma construtora. Não sem antes retirar, com todo cuidado, um por um dos azulejos do painel agora montado para nosso deleite!




quarta-feira, 21 de abril de 2010

Uma tarde em 76


O ano era 1976.

Na vitrola (na verdade já era uma pick up sansui que meu pai trouxe da zona franca de manaus) tocava Johnny Mathis - Misty.

Minha mãe tinha todos os long plays dele. Além de Românticos de Cuba. Os do meu pai eram de Nelson Gonçalves. Não posso ouvir nada disso sem me lembrar imediatamente dos meus pais.

Meus pais bebendo e fumando com os amigos e jogando "buraco". Duro. Sem coringa. Sem canastra suja. Só limpa. Canastra real. Uma delas valia 200 pontos. De As à As valia 500.
Voltando para 1976. Eu tinha um amor proibido. Minha mãe adorava o cara.
Porque pensava que era só amigo. Ele era mais velho ( 8 anos mais velho do que eu, não tinha estudado, era artista, negro e tinha uma noiva! Caramba, isso é que era um amor proibido naquela época!) e tocava violão muito bem, tocava pra minha mãe. Ele vinha das noitadas direto lá pra casa tomar café da manhã e minha mãe achava isso o máximo. Meu pai dizia "Helga abre o olho, não existe amizade entre homem e mulher". E a gente se beijava escondido. E a cena que ficou, a cena que eu fecho os olhos e enxergo quando toca Misty é a seguinte:


Final de tarde, sala do apartamento de Boa Viagem, Johnny Mathis na vitrola - Misty.

Minha mãe fumando e bebendo com sua calça cigarrete, unhas vermelhas compridas e os cabelos muito altos de laquê. Meu amigo me tira para dançar. Dançamos toda a música e é como se o mundo acabasse ali, é como se aquela música tivesse durado toda uma eternidade. E durou. Durou até hoje.

Inútil rasgar fotografias: ninguém pode apagar as fotos e os filmes da nossa cabeça. Mas essa frase é de um outro amigo meu. ...E a trilha sonora era Tribalistas.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dona Doida







Nunca consegui falar sobre minha mãe aqui nesse blog. Posts e posts sobre Raul, nada de Helga. Não é só aqui. Trata-se de um bloqueio.

Agora faz um ano que ela morreu (na verdade um pouco mais) e sua presença é para mim mais concreta do que quando ela estava viva se bulindo.

Fiz 5 anos de psicanálise e até hoje não tenho certeza se minha mãe era uma mulher muito à frente de seu tempo ou se ela era doida mesmo.

No primeiro caso ela estaria mais para Leila Diniz do que para Simone de Beauvoir.

Mas ela tinha plena convicção de que as mulheres tinham exatamente, rigorosamente os mesmos direitos que os homens, contanto que não precisassem trabalhar.

Não que ela fosse inculta ou iletrada. Devorava livros, cursou universidade federal.

Bebia e fumava desde os 15 anos. Fazia penteados altos de laquê duas vezes por semana e era capaz de dormir sentada para não desmanchá-los. Fumava com suas longas unhas vermelhas que nos causavam pavor por causa dos beliscões.

Mordaz, sua ironia corrosiva destruía auto-estimas por onde passava, mas foi responsável pela sua solidão.

Um dia, para meu espanto, ela me disse que a sensação de morrer devia ser deliciosa igual a de um orgasmo. Fiquei estarrecida. Ela, que nasceu em 1936, não apenas conhecia a sensação do orgasmo como tinha tanta intimidade com eles que considerava o assunto trivial.

Helga aprendeu a dirigir em uma Rural 1964. Meu pai não foi seu primeiro namorado e ela não casou virgem.

Filha de um alemão de Dusseldorf com uma gaúcha de Porto Alegre, sempre foi uma mulher cosmopolita. Tinha mania de levar os filhos a psicólogos e dentistas. Ninguém fazia isso, principalmente em Piracicaba, interior de São Paulo, para onde, horrorizada, se mudou por causa do trabalho de meu pai. Aos 3 anos eu frequentava regularmente o dentista. Em 1970 levou minha irmã ao psicólogo porque ela se recusou a ir com amigos ao cinema. Considerou depressiva aquela atitude. Quanto à mim fiz , minha primeira consulta ao psicólogo aos 12, 1974, plena ditadura militar. O motivo? rebeldia. Respostas que eu tinha na ponta da língua.

Mulher de difícil convivência, um a um fomos saindo de casa.

O primeiro foi meu pai, eu tinha 15 anos e eles 23 anos de casados.

Helga mudou pra pior. Além disso, aos 42 anos, além de desquitada, arrumou um namorado de 22 anos. Minha irmã tinha 24. Minha irmã foi embora de casa. Eu virei a bola da vez. Então fui morar com meu pai.

A minha relação com dona Helga foi sempre tão difícil e dolorosa, tema de intermináveis sessões de terapia, enfim. E foi na terapia que, aos 40 anos, descobri que meu pai tinha defeitos! Isso foi uma revelação. Eu não via defeitos em meu pai. Também descobri qualidades em minha mãe!

E hoje, depois que ela morreu, (quer ser bom? morra.) hoje vejo outras qualidades nela, e vejo o quanto somos parecidas, fato que sempre me horrorizou admitir. E que agora entendo tudo e até sinto orgulho. Helga. Só agora, meio século depois consegui te compreender. Acho que eu te amaria.

domingo, 18 de abril de 2010

O QUE ANDO LENDO?


HISTÓRIA SOCIAL DO JAZZ - ERIC HOBSBAWN - amantes do jazz, historiadores ou aspirantes à ambos irão gostar.
LEITE DERRAMADO - CHICO BUARQUE - qualquer pessoa que goste minimamente de ler vai gostar. Leitura fácil, fluente rápida, gostosa.

domingo, 11 de abril de 2010

Augusto dos Anjos


Vandalismo


Meu coração tem catedrais imensas,

Templos de priscas e longínquas datas,

Onde um nume de amor, em serenatas,

Canta a aleluia virginal das crenças.


Na ogiva fúlgida e nas colunatas

Vertem lustrais irradiações intensas

Cintilações de lâmpadas suspensas

E as ametistas e os florões e as pratas.


Como os velhos Templários medievais

Entrei um dia nessas catedrais

E nesses templos claros e risonhos ...


E erguendo os gládios e brandindo as hastas,

No desespero dos iconoclastas

Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

sábado, 10 de abril de 2010

Cinema da Fundação - Maratona

Colin Firth e Juliane Morre em A single Man

Sábado adorável. Fui sozinha e teria sido a primeira vez na minha vida que eu iria ao cinema sozinha. Já estava orgulhosa de mim mesma. Olhei a programação, tomei banho, me troquei: prontíssima às 15. Sempre desisto nessa hora. A caminho do elevador tive a idéia de ligar para uma amiga que poderia estar de bobeira e mora perto da Fundarj. Ela disse que ia. Não fiz fé. Nessa hora eu já ia de todo jeito. Coloquei na bolsa meu xale quentinho de Machu Picchu.

16:40 - Sentada no meu lugar predileto aguardando:

O Processo de Joana D'Arc de Robert Bresson - 1962 - França - 65 minutos - preto e branco. Sessão grátis na Fundação.

Baseado inteiramente em fontes históricas primárias, ou seja, nos arquivos do processo, o filme mostra todos os passos do martírio da heroína francesa, do encarceramento à fogueira. Como historiadora me deliciei, mas minha amiga - que para minha surpresa apareceu - achou detalhista meio maçante. Discordo. O filme é fantastic.
Saímos para tomar um delicioso café Castigliani enquanto aguardávamos

18:30 - A Single Man - Tom Ford EUA 2009 (Direito de amar, horrendo nome que ganhou na tradução brasileira).
O professor universitário de literatura - brilhante atuação impecável de Colin Firth - perde inesperadamente o seu companheiro após 16 anos de convivência. O filme narra a dor e a extrema solidão do protagonista ao enfrentar o dia a dia, agora sem sentido, e recordando os instantes de felicidade vividos com seu grande amor. A dor é dilacerante. O ponto forte do filme é mesmo o elenco. Juliane Moore como a melhor amiga que dá em cima do amigo gay só para não ficar sozinha está impecável e linda. Sua frase "Eu tenho muitos amigos mas nenhum deles precisa de mim" resume o personagem e a vida de muita gente que eu conheço. Filme simplesmente IMPERDÍVEL
Saímos para tomar outro café desta vez com croissants. E pra relaxar o divertidíssimo

20:30 - Soul Kitchen - 2009 Alemanha - Fatih Akin
Uma comédia Alemã, já pensou? Um feel good movie com um diretor alemão de ascendência turca. Pense numa trilha sonora dançante. O protagonista é o hilário grego Zinos que tem um restaurante falido tipo PF sujinho, na periferia de Hamburgo, uma desgraça. Resolve então desistir do tão amado quanto endividado estabelecimento para ir atrás de sua namorada em Xangai. A partir daí tudo parece conspirar para o Soul Kitchen decolar e virar o restaurante da moda. Muito bom.
Fomos para a casa lindas leves e soltas. Para mim pelo menos, sinônimo de sabadão perfeito.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

Cinema da Fundaj - A Fita Branca e as Coberturas de Mascaro

15 dias sem dirigir, braço imobilizado.
Minha amiga Aninha levou-me ao médico . Era ao lado do cinema da Fundação. Fomos atendidas em tempo record. Nada melhor do que um bom Castigliani e CINEMA UHUHU. Sinto um enorme prazer quando estou no cinema da Fundação.
Assistimos A FITA BRANCA, 2009, que deveria ter recebido o oscar de melhor filme estrangeiro.
Muito bom. Alemão, passa-se numa aldeia um pouco antes da primeira guerra mundial.
Acontecimentos estranhos envolvendo sempre as crianças do pequeno lugarejo. As crianças recebiam uma educação rígida demais, repressiva e cheia de castigos físicos e falsa moral.
Essa seria a geração que estaria adulta na época do terceiro Reich. A fotografia é escura e intrigante. Bom. Muito bom.
Quanto ao documentário pernambucano de Gabriel Mascaro (que deu uma de Michael Moore usando sua câmera apontada como uma arma), Um Lugar ao Sol, 2009, fiquei entre surpresa, pasma mesmo, e pensativa. O filme provoca. De todos os lados. Ele admoesta. Incomoda. Dos 125 proprietários de coberturas procurados pela produção, apenas 9 concordaram em participar do filme, dando depoimentos sobre como é morar "por cima". 5 deles são pessoas conhecidas aqui no Recife. Depois tem um empresário de São Paulo e 3 do Rio de Janeiro. Poucos tinham um discurso coerente (como a imigrante francesa do Rio) e outros tinham um discurso chocante (como a carioca que via uma incrível beleza nos tiroteios que presenciava todas as noites nos morros, pois pareciam fogos de artifício).
Houve muito riso na platéia o que me preocupou.
Interessante.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

BOX GUARARAPES



O LOBISOMEN.
BENÍCIO DEL TORO E ANTHONY HOPKINS JÁ VALEM O INGRESSO.
A HISTORINHA É BOAZINHA. AS TRANSFORMAÇÕES SÃO INTERESSANTES.
NÃO SOU MUITO DE CARNIFICINAS E O QUE EU MAIS GOSTEI NO FILME
FOI A AMBIENTAÇÃO NA INGLATERRA VITORIANA, COMO NO CLÁSSICO
ORIGINAL DE 1941.