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quarta-feira, 7 de abril de 2010

terça-feira, 21 de abril de 2009

Chã Grande é:












Montanha, chuva, frio, vinho.
O resgate do hábito ancestral de conversar ao redor da fogueira.
Longas caminhadas. Banho de bica, horta orgânica, comidinhas, refeições comunitárias, divisão de tarefas, abraço de amigo, risadas. Cheiro bom. De manjericão.
O silêncio e a música da natureza: bom pra ler, bom pra pintar, pra ouvir john coltane, miles davis, george harrison.

domingo, 19 de outubro de 2008

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Porto Cidade Invicta - A maior árvore de natal da Europa


Câmara Municipal do Porto, início da espetacular queima de fogos que esse ano não foi na Ribeira e sim na Avenida dos Aliados.

Aqui está minha Oura, no Reveillon do Porto, esperando a famosa queima de fogos e nos mostrando a maior árvore de natal: 76 metros de altura, 280 toneladas, 2,4 milhões de microlâmpadas, 13 mil lâmpadas de bolinha, 28 mil metros de mangueira e 500 metros de neon.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Festival de Inverno de Garanhuns - 17ª edição 2007

Que flash voltar à Garanhuns após alguns anos de ausência. A cidade continua muito charmosa.
Fui rever e conferir: por do sol no Alto do Magano, jazz no Pau Pombo, artesanato no parque dos eucaliptos, vila alpina na Praça Guadalajara, chocolate 7 colinas, Zé da Macuca e seu boi hilário. Relógio das Flores e Santuário da Mãe Rainha.
Esse ano tinha esposição de artes plásticas por todos os lados e a prefeitura "caprichou" na segurança da praça principal do evento - éramos revistados a cada vez que entrávamos.
A escolha das bandas do palco principal desta vez ficou a cargo da prefeitura - e não da fundaj - não combinou com o meu gosto musical. Mas é, sem dúvida, uma iniciativa bacana e um bonito evento. Deu pra curtir um friozinho, e a companhia da viagem foi do melhor: Frederico, Sandrinha e Ricardo. Demos muuuuuuuuuitas risadas. Gostei imenso.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Salamanca: exuberância em todas as direções ou Os Três Mal-Amados, João Cabral de Melo Neto

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina. O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos. Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina. O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água. O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome. O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel. O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso. O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala. O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
*
Esta fala do personagem Joaquim foi extraída da poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.

Caminha PT

Estou a falar de uma cidadela lindinha do norte de Potugal.
Limitada a sul pelo concelho de Viana do Castelo, a norte pelo rio Minho, a nascente pelos concelhos de V.N. de Cerveira e Ponte de Lima e a poente pelo mar Atlântico.
Geograficamente localizada num ponto estratégico. Encontra-se a cerca de 90 km da cidade do Porto e a 45 minutos do Aeroporto de Pedras Rubras. É possível chegar a Vigo, na Galiza, e ao seu Aeroporto, em 50 minutos. Para chegar a Espanha, desde Caminha, é ainda possível embarcar no Ferry-Boat “Sta. Rita de Cássia”, que transporta passageiros, automóveis e autocarros para o outro lado da margem do rio Minho.
Caminha é uma povoação antiquíssima. Nas imediações existem ainda vestígios de civilizações atribuídas a épocas proto e pré-históricas, como mamoas, dólmen e castros. De resto, toda a região do Noroeste da Península, e muito especialmente a bacia do Minho, ostenta várias edificações do período Megalítico. Mas a cultura dominante e que mais vestígios deixou nesta zona foi, sem dúvida, a Castreja. As casas, quase todas do tipo redondo ou ovalado, denunciam marcas da cultura pré-céltica.
Na organização paroquial suévia do séc. V aparecem os topónimos “Camenae” ou “Camina”. Quase todas as freguesias do concelho, mercê da sua situação geográfica, terão sido pontos fundamentais ao controlo do comércio dos metais que tinham que tinham de percorrer as águas do Rio Minho.
O perímetro e a configuração oval da antiga muralha obedecem às características de construção das fortalezas romanas dos sécs. IV e V. Mas do período da romanização ficaram ainda pontes, caminhos e outros monumentos.
Em 1060 I. Magno de Leão designa Caminha como sede de um condado que denominou “Caput Mini” e cerca de meio século depois, Edereci localiza “um forte castelo em ilha a montante da foz do Minho” e outro “acima do precedente em terra firme e eminente”. Isto mesmo se crê conformado nas Inquisitiones: “na colação de Sta. Maria de Caminha, em Vilarélio, se situa o velho castelo de Caminha” subordinado durante séculos à Sé de Tui. Somente a partir dos começos do séc. XVIII apareceram, nas chancelarias portuguesas, documentos de desafectação respeitantes a Caminha e povoações ribeirinhas do Minho, alguns do reinado de D. Afonso III, com notícias da edificação de mais uma torre (a do Sol), com sua porta.
Pela situação geográfica, Caminha era um ponto avançado na estratégia militar portuguesa na luta contra castelhanos e leoneses. D. Dinis mandou aumentar as muralhas e construir mais duas torres, elevando para treze o seu número (dez torres e três portas - a do Sol, a Nova e do Marques).
A 24 de Julho de 1284, outorgou aos habitantes do concelho a primeira Carta Foral.

Casa dos Pitas - foto
Reportando-se a meados do séc. XVII, a Casa dos Pitas é considerada um belo exemplar da arte manuelina tardia. Esta casa expressa bem a explosão urbana tipo senhorial que chegou a Caminha nessa época. Lembrando os típicos solares minhotos, esta casa, de estilo manuelino, ostenta uma fachada com guarnições e molduras interessantes

Chafariz - foto
Localizado bem no centro de Caminha, o Chafariz é uma notável obra de arte que embeleza o largo do Terreiro. Constitui uma boa peça de arte renascentista portuguesa da primeira metade do séc. XVI. A sua realização deve-se ao célebre canteiro João Lopes Filho. As taças que o constituem são decoradas com molduras curvas e caras polifacetadas. As guarnições que ostenta no exterior são mais recentes e reportam-se ao séc. XIX

Fonte: Câmara Municipal de Caminha - http://www.cm-caminha.pt/