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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Aprendendo vulnerabilidade




Hoje na praia, maré seca eu boiei. Boiei o máximo de tempo que eu pude. 
Dezembro e janeiro, na piscina dos Pig também boiei pra caramba. 
Agora eu dei pra boiar kkkkk Lembrando do meu pai. 
Meu pai era muito lúdico. Ele não tinha vergonha de nada, não se importava de ficar "vulnerável", se isso lhe trouxesse alegria. Bastava ele ver água do mar e logo estava ele lá boiando, braços e pernas abertos. E veja bem, ele era praticamente uma letra L: 1.62, pés 42. Então, da areia a gente só via aquele pezão branco lá, eternamente boiando. ( tinha que ver ele caminhando no calçadão de boa viagem: "passadas grandes com grande balanceamento dos braços" dizia ele aos gritos para o desavisado acompanhante, (ensinando o método do dr Cooper)  um espetáculo. Minha mãe sentia vergonha, da espontaneidade dele, então a gente também passou a sentir. Se a gente entrasse na água então, tinha que boiar. Podia ser no Acaiaca no auge dos anos 70. Por isso a gente não entrava nem a pau. Só se a praia estivesse deserta. Que pena. Perdi ótimas oportunidades de boiar com meu pai vendo o movimento das nuvens...
 Lúdico, brincante.  Minha lembrança vai ainda mais longe. Corta para o interior de São Paulo, final dos anos 60. Festinha lá em casa? platéia?  ele dançava frevo. O ponto forte era aquele passo de rapidamente se agachar e levantar diversas vezes para espanto total da platéia. Falava e ria alto nem aí, hahaha. E se chovesse, no final de semana em alguma hora oportuna, ele me chamava correndo; "vai! coloca o biquini!", ele colocava a sunga, hahaha e ia pro jardim muito feliz, qual sertanejo na primeira chuva após longa estiagem. Corríamos pra lá e pra cá, tomando banho de chuva, rindo da minha mãe que gritava "ela vai gripar"... Uma festa. Os vizinhos - bairro de classe média alta - boquiabertos não entendiam o que aquele  "paraíba baixinho" estava fazendo. Isso explica a minha euforia até hoje todas as vezes que chove. Ah! foi ele quem me ensinou a andar de bicicleta mas isso já é uma outra história.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

03/02/2010
1 - Quando eu tinha 15 anos achava que em 2010 víveríamos igualzinho aos Jetsons. Que decepção.

2 - Quando eu tinha 20 anos minha filha Tainá nasceu e neste mesmomomento eu nasci também.

3 - Eu e Tainá crescemos juntas como irmãs. Hoje ela é minha mãe.

4 - Quando eu tinha 30 anos meu filho Edgard nasceu e foi como se eu fosse mãe pela primeira vez.

5 - Cada filho meu tem um pai que corresponde a um ex-marido se é que você me entende.

6 - Acredito no par. A vida só tem graça em dupla.

7 - Nunca fui ao cinema sozinha.

8 - Tive uma crise de choro quando conheci Veneza porque eu queria que meu pai estivesse ali comigo.

9 - Quero morrer em Veneza.

10 - Mas antes preciso passar uns meses na costa amalfitana.

11 - Sinto uma felicidade eufórica nos dias de chuva.

12- Fiz 5 anos de análise e ainda não recebi alta.

13 - Desconfio que meu diagnóstico já mudou de depresiva para alcoólatra passando por síndrome de pânico.

14 - Há dias em que estou absurdamente feliz para no dia seguinte achar que a vida é uma espelunda de quinta categoria. Talvez o transtorno bipolar seja uma hipótese.

15 - Adoro escrever mas detesto tudo depois de ler. Uma lástima.

16 - Frederico é o grande amor da minha vida. Espero que ele nunca vire meu ex-marido.

17 - Adoro Blues principalmente Stevie Ray Vaughan, Pinetop Perkins e Matt Murphy, mas não curto aquele tipo de jazz que passa uma hora viajando na mesma maionese. Miles Davis é o máximo.

18 - Tenho uma incrível facilidade para dizer NÃO, de maneira indolor inclusive.

19 - Sou leitora compulsiva. Como alguém que é viciado em jogo, sou capaz de gastar o dinheiro do condomínio em livros. Meu quarto é um mar de livros. Hoje uso lentes de contato porque meu grau é 6.

20 - Ler é o meu maior vício. E me dá barato.

21 - Depois vem vinho tinto e prosecco. Sempre drogas lícitas. Sou conservadora.No fundo.

22 - Se eu tivesse certeza que o mundo iria acabar em 2012 passaria a tomar champagne no café da manhã.

23 - Eu não nasci pra trabalho, ou melhor, gostaria de ser paga para ler.

24 - Queria ter o dom de escrever. Como Saramago ou Mario Vargas Llosa.

25 - Ganho muito tempo dormindo e consigo ser sedentária sem peso na consciência.



Minha mãe e Edgard, meu irmão, encontraram o relato abaixo, escrito à máquina de escrever em uma folha já amarelada pelo tempo, entre as lembranças deixadas pela minha avó Helga. 
Não sabemos a autoria.
MORREU DE CONFUSÃO
Foi encontrada no bolso de um suicida em Maceió, a seguinte carta:
"Ilmo Sr. Delegado:
Não culpe ninguém pela minha morte, deixei esta vida porque um ano mais que vivesse, acabaria ficando louco!
Foi o seguinte:
Eu tive a maldita sorte de casar-me com uma viúva, a qual tinha uma filha. Se eu soubesse disso, jamais teria me casado. Meu pai, para maior desgraça, era viúvo, e quis a fatalidade que ele se enamorasse e casasse com a filha de minha mulher.
Resultou daí, que minha mulher tornou-se sogra de meu pai e minha enteada ficou sendo minha mãe. E meu pai, ao mesmo tempo, era meu genro. Após algum tempo, minha filha trouxe ao mundo um menino, que veio a ser meu irmão, porém neto de minha mulher, de maneira que fiquei sendo avô de meu irmão.
Com o decorrer do tempo, minha mulher deu à luz a um menino que, como irmão de minha mãe, era cunhado de meu pai e tio de seu filho, passando a minha mulher a ser nora de sua filha.
Eu, Sr. Delegado, fiquei sendo pai de minha mãe e ela, irmã de meus filhos. Minha mulher ficou sendo minha avó, já que é mãe de minha mãe, e, assim, fiquei sendo avô de mim mesmo.
Portanto, Sr. Delegado, antes que as coisas se compliquem ainda mais, resolvi deixar este mundo.
Perdão, Sr. Delegado.
Ass.: Fulano Detal"
Obs.: Consta que, após ter lido esta carta, o Delegado se suicidou.

terça-feira, 25 de março de 2014

That's my big little John, my everything


Isso pra mim é viver, isso pra mim é amor!
sensação indescritível.


despedida tardia

Baía de Maracaípe, 29 de dezembro de 2013.
Sinto pena porque 2013 está acabando. Foi um grande ano este 2013, memorável mesmo e ficará marcado na minha história como o ano em que João me chamou de "own Bóvinha...." e nos tornamos companheiros, que meus filhos e meus amigos me cubriram de amor, obtive grandes vitórias pessoais e aprendizados desejados. Temperança, generosidade e doçura foram alguns deles. "E para quê tudo isso? " Perguntaria Sponville. Para ser mais humano, mais forte, mais doce. Para ter autonomia e assim ser livre!






 Liberdade é ter autonomia. Feliz 2014 para todos! Feliz!!!

sábado, 17 de agosto de 2013

O Amor

CAETANO VELOSO
Talvez
Quem sabe
Um dia
Por uma alameda
Do zoológico
Ela também chegará
Ela que também
Amava os animais
Entrará sorridente
Assim como está
Na foto sobre a mesa
Ela é tão bonita
Ela é tão bonita
Que na certa
Eles a ressuscitarão
O século trinta vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora vamos alcançar
Tudo o que não
Podemos amar na vida
Com o estrelar
Das noites inumeráveis
Ressuscita-me
Ainda
Que mais não seja
Porque sou poeta
E ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando
Contra as misérias
Do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver
O que me cabe
Minha vida
Para que não mais
Existam amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais
Tenha de sacrificar-se
Por uma casa
Um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
A partir de hoje
A família se transforme
E o pai
Seja pelo menos
O Universo
E a mãe
Seja no mínimo
A Terra
A Terra
A Terra

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

DROGAS, TOU FORA

Há cerca de um ano tive um percalço desagregador na minha vida. 
No início sobreveio-me uma depressão. 
Era como se alguém tivesse me dado uma pancada na cabeça ou puxado o meu tapete, batendo assim com a cabeça no chão. Por muitos dias eu ainda não entendia direito o que realmente estava acontecendo. Após dois meses (depois de anos de abstinência) voltei a fumar!
Aquela velha história de vou fumar só um me pegou, logo eu macaca velha.
Na verdade alí estava o meu não-amor por mim, aquela vontade de auto-destruição. 
Voltei para o meu grupo de terapia que eu havia abandonado de forma abrupta, absoluta, eu mesma me dando alta e achando que não precisava mais de ajuda! Pedi arrego e o grupo me aceitou de volta! 
Longo foi - está sendo o caminho a percorrer. 
Neste momento estou há 3 dias sem fumar!! Só quem entende é quem já passou ou passa por isso.

Ao parar de fumar seu corpo vai recebendo benefícios constantes. Veja só:

Após 20 minutos

A pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal

Após 2 horas

Não há mais nicotina circulando no seu sangue

Após 8 horas

O nível de oxigênio no sangue se normaliza

Após 12 a 24 horas

Seus pulmões já funcionam melhor

Após 2 dias

Seu olfato já percebe melhor os cheiros e o seu paladar já sente melhor o sabor da comida

Após 3 semanas

Você vai notar que sua respiração se torna mais fácil e a circulação melhora

Após 1 ano

O risco de morte por infarto já se reduziu à metade

Após 5 a 10 anos

O risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram

domingo, 6 de janeiro de 2013

FIM DE ANO OU COMO DAR UMA FACADA EM SI MESMO


Depois que meus pais se separaram, passei a menosprezar todas essas fúteis e meras formalidades de fim de ano.
O meu foi legal como eu já sabia que ia ser e eu estava precisando disso.
Nunca tinha passado ano novo dormindo sozinha com minhas reflexoes.
Você acredita que Caíque dormiu a noite toda em minha cama? de medo dos fogos! Sempre que eu bebo eu peço pra ele dormir comigo e ele nunca subiu nem a pau na minha cama!
Foi aí que eu vi que tinha feito a melhor escolha.
Edgard nao queria de jeito nenhum ir pra André, devido as zebras todas que ja haviam acontecido, mas eu insisti muito, mas muito mesmo e ele foi e me ligou de lá bem umas 8 vezes kkk. Tudo começou assim:
COMO DAR UMA FACADA EM SI MESMO:
Se você tem um perfume adorável cujo o spray não funciona, pegue no dia 30 de dezembro uma faquinha super afiada de preferência de serra e tente tirar a parte de metal do vidro para mudar o perfume de frasco.  Faça muuuiiita força.
Desta forma a faca escapa e você a enterra até a metade entre o dedo polegar e o indicador. Difícil é a parte que você tem que respirar fundo, se encher de coragem e puxar a faca da mão.....Na correria pra completar saia e  deixe uma panela no fogo. Aceso. Sangue, muito sangue, cena de crime SVU. Torniquete, hospital, pontos, e no dia 31 de dezembro, antibióticos e antitetânica! Simples  assim!
Pensa que acabou? ah não tinha graça. Tem mais:
No dia seguinte, ou seja 31, eu tinha que tomar a antitetanica entao saimos umas dez horas pra procurar a mesma. Postos todos fechados. ALguém disse que tinha na famárcia 4 cantos. Pegamos a Agamenon e quando Edgard ia virando pro Santa Joana, um rapaz fez que ia direto, mas mudou de ideia e entrou, batendo na gente! os carros viraram, Edgard ficou branco, a mulher do cara gritando "eu tou gravida tou passando mal", o cara sem saber o que fazer; ela disse "eu quero sombra eu quero água". Bom, ela foi se sentar na grama da Agamenon junto com os trombadinhas! Edgard foi comprar água.
Eu disse pro cara pasmo: "fica calmo. Edgard foi ficar com ela lá na grama. Os dois erraram e você mais do que ele, sendo que o meu prejuizo foi maior, hoje é 31 sua mulher tá passando mal, vamos embora? cada um paga o seu. O guarda parou na moto com aquelas perguntas de sempre e mandou tirar os carros do cruzamento. Ele concordou, eu torando o aço porque seu irmao ta na carteira provisória. Fomos buscar a moçinha na grama nos apertando as mãos passados. Fomos embora. Acabou? não! Veja 31 de dezembro meio dia! Quando estou na farmácia liga a vizinha dizendo que o adolescente que anda roubando havia assaltado uma pessoa na rua, e que o próprio tio dele chamou a policia que chegou e o meliante se escondeu onde? dentro do nosso prédio!
A policia entrou e ele conseguiu fugir pulando o muro de trás, que a gente tivesse cuidado etc e tal. Ok.
 A polícia estava parada na frente da casa dele conversando com o tio.
Nós estacionamos ,chamamos o policial até o nosso prédio, contamos onde
ele estava e o mesmo foi passear de camburão .
 O médico disse que eu tive muita sorte em nao atingir tendão senão cirurgia na hora! 
Á noite tomei todas pra comemorar e dormi com  meu cachorro!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Necessidade da escrita

Há semanas tenho sentido uma vontade viceral da escrita.
Isso me fez pensar em retomar o blog. O blog é um lugar
onde posso deixar meus escritos guardados sem medo de
que se desmanchem. O nascimento de João, claro, mudou
completamente as nossas vidas. E ele vai fazer 1 ano este mês.
Neste um ano, mudamos de endereço, estado civil,  emprego e
uma série de coisas outras.
De Piedade, em frente ao mar,
agora moro no bairro tradicional da Torre, zona norte da cidade.
Bairro antigo, boêmio, pacato. Uma rua sem saída, cheia de casas,
árvores centenárias, passarinhos, silêncio.
Era desse silêncio que eu precisava. Para ir ao encontro de mim mesma após  dolorosa separação.

Estamos amando a nova casa. Caíque, meu bionicão, agora anda solto por aí sem coleira. A casa tem mais de 60 anos, pé direito muito alto e aquele chão!
Aquele chão que ninguém encontra mais....que é preu poder achar meu chão.

sábado, 12 de novembro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011

Bebê mamã

Quanta saudade Caique!!!
Bebê Mamã....mamae vai te buscar no da 24 de dezembro ok? Eu te amo pra
sempre irei te amar e nao vejo a hora de ir te buscar. Mil apertoes.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

EU TE DEVORO


Teus sinais
Me confundem
Da cabeça aos pés
Mas por dentro
Eu te devoro,
Teu olhar
Não me diz exato
Quem tu és
Mesmo assim
Eu te devoro...

Te devoraria
A qualquer preço,
Porque te ignoro,
Te conheço,
Quando chove ou
Quando faz frio,
Noutro plano
Te devoraria
Tal Caetano
A Leonardo DiCaprio...

É um milagre,
Tudo que Deus criou
Pensando em você,
Fez a via-láctea
Fez os Dinossauros,
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu,
Sem contar os dias
Que me faz morrer,
Sem saber de ti
Jogado à Solidão,
Mas se quer saber
Se eu quero outra vida
Não! Não!


Eu quero mesmo é viver
Pra esperar, esperar
Devorar você...

domingo, 9 de maio de 2010

Só as mães são felizes?

























Todos os dias sou feliz como mãe e me sinto privilegiada neste quesito. Meus filhos são meus melhores amigos e eu não posso dizer o mesmo dos meus pais. Não sei quem eram os melhores amigos deles. O amor materno é um mito e todo amor tem que ser conquistado. Hoje posso dizer que a maternidade me trouxe uma lucidez

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Uma tarde em 76


O ano era 1976.

Na vitrola (na verdade já era uma pick up sansui que meu pai trouxe da zona franca de manaus) tocava Johnny Mathis - Misty.

Minha mãe tinha todos os long plays dele. Além de Românticos de Cuba. Os do meu pai eram de Nelson Gonçalves. Não posso ouvir nada disso sem me lembrar imediatamente dos meus pais.

Meus pais bebendo e fumando com os amigos e jogando "buraco". Duro. Sem coringa. Sem canastra suja. Só limpa. Canastra real. Uma delas valia 200 pontos. De As à As valia 500.
Voltando para 1976. Eu tinha um amor proibido. Minha mãe adorava o cara.
Porque pensava que era só amigo. Ele era mais velho ( 8 anos mais velho do que eu, não tinha estudado, era artista, negro e tinha uma noiva! Caramba, isso é que era um amor proibido naquela época!) e tocava violão muito bem, tocava pra minha mãe. Ele vinha das noitadas direto lá pra casa tomar café da manhã e minha mãe achava isso o máximo. Meu pai dizia "Helga abre o olho, não existe amizade entre homem e mulher". E a gente se beijava escondido. E a cena que ficou, a cena que eu fecho os olhos e enxergo quando toca Misty é a seguinte:


Final de tarde, sala do apartamento de Boa Viagem, Johnny Mathis na vitrola - Misty.

Minha mãe fumando e bebendo com sua calça cigarrete, unhas vermelhas compridas e os cabelos muito altos de laquê. Meu amigo me tira para dançar. Dançamos toda a música e é como se o mundo acabasse ali, é como se aquela música tivesse durado toda uma eternidade. E durou. Durou até hoje.

Inútil rasgar fotografias: ninguém pode apagar as fotos e os filmes da nossa cabeça. Mas essa frase é de um outro amigo meu. ...E a trilha sonora era Tribalistas.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dona Doida







Nunca consegui falar sobre minha mãe aqui nesse blog. Posts e posts sobre Raul, nada de Helga. Não é só aqui. Trata-se de um bloqueio.

Agora faz um ano que ela morreu (na verdade um pouco mais) e sua presença é para mim mais concreta do que quando ela estava viva se bulindo.

Fiz 5 anos de psicanálise e até hoje não tenho certeza se minha mãe era uma mulher muito à frente de seu tempo ou se ela era doida mesmo.

No primeiro caso ela estaria mais para Leila Diniz do que para Simone de Beauvoir.

Mas ela tinha plena convicção de que as mulheres tinham exatamente, rigorosamente os mesmos direitos que os homens, contanto que não precisassem trabalhar.

Não que ela fosse inculta ou iletrada. Devorava livros, cursou universidade federal.

Bebia e fumava desde os 15 anos. Fazia penteados altos de laquê duas vezes por semana e era capaz de dormir sentada para não desmanchá-los. Fumava com suas longas unhas vermelhas que nos causavam pavor por causa dos beliscões.

Mordaz, sua ironia corrosiva destruía auto-estimas por onde passava, mas foi responsável pela sua solidão.

Um dia, para meu espanto, ela me disse que a sensação de morrer devia ser deliciosa igual a de um orgasmo. Fiquei estarrecida. Ela, que nasceu em 1936, não apenas conhecia a sensação do orgasmo como tinha tanta intimidade com eles que considerava o assunto trivial.

Helga aprendeu a dirigir em uma Rural 1964. Meu pai não foi seu primeiro namorado e ela não casou virgem.

Filha de um alemão de Dusseldorf com uma gaúcha de Porto Alegre, sempre foi uma mulher cosmopolita. Tinha mania de levar os filhos a psicólogos e dentistas. Ninguém fazia isso, principalmente em Piracicaba, interior de São Paulo, para onde, horrorizada, se mudou por causa do trabalho de meu pai. Aos 3 anos eu frequentava regularmente o dentista. Em 1970 levou minha irmã ao psicólogo porque ela se recusou a ir com amigos ao cinema. Considerou depressiva aquela atitude. Quanto à mim fiz , minha primeira consulta ao psicólogo aos 12, 1974, plena ditadura militar. O motivo? rebeldia. Respostas que eu tinha na ponta da língua.

Mulher de difícil convivência, um a um fomos saindo de casa.

O primeiro foi meu pai, eu tinha 15 anos e eles 23 anos de casados.

Helga mudou pra pior. Além disso, aos 42 anos, além de desquitada, arrumou um namorado de 22 anos. Minha irmã tinha 24. Minha irmã foi embora de casa. Eu virei a bola da vez. Então fui morar com meu pai.

A minha relação com dona Helga foi sempre tão difícil e dolorosa, tema de intermináveis sessões de terapia, enfim. E foi na terapia que, aos 40 anos, descobri que meu pai tinha defeitos! Isso foi uma revelação. Eu não via defeitos em meu pai. Também descobri qualidades em minha mãe!

E hoje, depois que ela morreu, (quer ser bom? morra.) hoje vejo outras qualidades nela, e vejo o quanto somos parecidas, fato que sempre me horrorizou admitir. E que agora entendo tudo e até sinto orgulho. Helga. Só agora, meio século depois consegui te compreender. Acho que eu te amaria.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Falando sobre mim: exercício de escrita



1. Quando eu tinha 15 anos achava que ainda ia crescer 15 cm. Isso nunca aconteceu.
2. Quando eu tinha 20 anos minha filha Tainá nasceu e eu nasci também nessa hora.
3. Eu e Tainá crescemos juntas como irmãs. Hoje ela é minha mãe.
4. Quando eu tinha 30 anos meu filho Edgard nasceu e foi como se eu fosse mãe pela primeira vez.
5. Cada filho meu tem um pai que corresponde a um ex-marido se é que você me entende.
6. Acredito no par. A vida só tem graça em dupla.
7. Nunca fui ao cinema sozinha.
8. Tive uma crise de choro quando conheci Veneza porque eu queria que meu pai estivesse ali comigo.
9. Quero morrer em Veneza.
10. Mas antes preciso passar alguns meses na costa amalfitana.
11. Amo os dias de chuva a ponto de ficar eufórica.
12. Fiz 5 anos de análise e ainda não recebi alta.
13. Desconfio que meu diagnóstico já mudou de depressiva para alcoolista passando por síndrome de pânico.
14. Há dias em que estou absurdamente feliz para no dia seguinte achar que a vida é uma espelunca de quinta categoria. Talvez o transtorno bipolar deva ser cogitado.
15. Ouro Preto não. Mas adoraria morar uns tempos em Tiradentes.
16. Frederico é o grande amor da minha vida. Espero que ele nunca vire meu ex-marido.
17. Adoro blues principalmente Steve RayVaughan, mas não curto aquele tipo de jazz que passa uma hora viajando na mesma maionese. Miles Davis é o máximo.
18. Tenho uma incrível facilidade para dizer não. De maneira indolor inclusive.
20. Ler é o meu maior vício.
21. Depois vem vinho tinto e prosecco. Só curto drogas lícitas.
22. Se eu tivesse certeza que o mundo iria acabar em 2012, passaria a tomar champagne no café da manhã.
23. Eu não nasci para trabalho. Melhor: gostaria de ser paga para ler.
24. Queria ter o dom de escrever. Como Saramago ou Mario Vargas Llosa.
25. Ganho muito tempo dormindo e consigo ser sedentária sem peso na consciência.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Férias sinônimo de muitos livros, filmes amigos e PRAIA!








Fui passar uns dias no litoral sul de Pernambuco, em Xaréu, uma prainha despretensiosa, e por isso mesmo deliciosa, assim como as companhias! Lá não tinha wireless em compensação tinha topless uhuhuhuhu
Nos deliciamos com peixes e crustáceos à vontade. Fizemos artesanato, pátina, pintamos vidrinhos coloridos para encher de velas, e preguiçamos nas redes.
Joguei frescobol todos os dias rememorando os áureos tempos do Acaiaca.
A casa, cercada de uma reserva de mata atlântica, é um refúgio perfeito para descanso. Muitos pássaros cantando e bandos de saguis.
Mas um dia, depois de uma chuva, recebemos a inusitada visita de uma aranha caranguejeira peluda tamanho gigante! Gritos, corre-corre e a pobrecita correu assustada.....Ou seja, tivemos direito à todos os acontecimentos do tipo férias na casa da praia, como por exemplo o carro que atola no caminho da padaria....recordações engraçadas para depois....
Que delícia, voltamos todos renovados. Mas ainda tem muita coisa pra curtir antes das férias acabarem!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

2010 - Champagne com panetone no café da manhã



É sempre um revival atrás do outro. Até quando eu frito um bife eu me lembro dela.
Neste final de ano reeditei uma antiga tradição da família Helga: café da manhã do dia 1º:
just champagne (prosecco) com panetone!
Droga, onde será que eu coloquei aquele óculos de sol que ela adorava usar? Aquele óculos massa que eu fui pro guaiamum treloso....

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Sobre ter um Blog

Sempre gostei de escrever e considerava uma facilidade me expressar em palavras escritas tão bem ou melhor que oralmente.
Inaugurei esse blog com a intenção de exercitar a escrita pessoal. Mas não é tão fácil.
Pouco a pouco vi meu espaço se transformando em um armário ou uma gaveta onde passei a guardar tudo de legal que eu via por aí. Poucos eram os posts onde exercitava a minha escrita propriamente dita, quer seja através de opiniões pessoais ou crônicas de casos passados.
Essa é a razão pela qual ando repensando o objetivo do Blog. Reflexões. Onde estão meus exercícios de escrita? Por que acontece diferente do que imaginei?

Ler pra mim é mais fácil não importa o tamanho do livro, mais que um hobby, é uma necessidade, praticamente um vício.
Meu dia começa com uma xícara gigante de café e o jornal, que leio na íntegra.
Mês passado li três livros de Saramago: A Jangada de Pedra, O Evangelho segundo Jesus Cristo (este reli) e O Homem Duplicado.
Após a biografia de Nara Leão e A Era das Revoluções de Eric Hobsbawn, estou relendo - 20 anos depois - Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley.
Tanta leitura enriqueceu meu vocabulário tornando-me fluente oralmente onde me expresso com a maior facilidade em qualquer ambiente e sobre variados assuntos. Os amigos adoram me ouvir contando casos e histórias que logo se tornam engraçadas devido ao meu bom humor e aos enfeites de um certo exagero que eu chamo de floreado para tornar os casos mais interessantes ao ouvinte. Como passar para o papel? preciso praticar, me expor, ou talvez até fazer um curso.
Um curso para escrever igual ao que faz a Emma Thompson no filme "Tinha Que ser Você" (Last chance Harvey). E igual ao que faz meu amigo Benjamim na cidade do Porto. Tem até um livro que ele me indicou de um professor dele chamado "Usar em caso de Escrita" mas não acho por aqui nem na livraria cultura. O fato é que se eu não conseguir efetivamente transformar meu Blog em exercício de minha escrita ....não sei. Tou pensando.