Mostrando postagens com marcador Ética e Cidadania. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ética e Cidadania. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de agosto de 2014

O machismo porco chauvinista escondido na brodagem - prestenção


Adoro os textos tanto da juliana cunha quanto do Chico Sá.  Só que o Chico não se admite machista e é.
vamos ler que texto massa:
"Caso se sinta incompreendida, Xico Sá te dará um abraço. Não se sinta feia, Xico Sá está aqui para te dar colo dizendo que macho que é macho não sabe a diferença entre estria e celulite. Macho que é macho liga quando promete, não enxerga rugas, é incapaz de notar que você engordou cinco quilos. O que são cinco quilos na grande ordem das coisas? O Homem de Verdade prega a imaterialidade dos cinco quilos. Com a cabeça nas grandes questões da humanidade ou na concretude do trabalho braçal, não consegue se ater a esse tipo de pequeneza.
É incrível a lista de itens cotidianos que um Homem de Verdade não enxerga, não compreende, não sabe diferenciar. Sua tolerância assume a forma de uma completa falta de percepção. Seus problemas, moça, suas inseguranças, não são fruto de processos históricos concretos, são apenas miragens. De repente você não é uma adulta que percebe o quanto a sociedade é exigente com você (especificamente com você) e que se frustra diante disso: você é uma criança, moça, uma criança boba vendo chifre em cabeça de cavalo. Tudo que você precisa é de um Homem de Verdade para lhe assegurar que seus fantasmas não existem, pois ele não pode vê-los. A lente da razão não pode vê-los, moça, por isso deixe de bobagem, deixe que seu homem te diga com que se preocupar, deixe que ele te separe por grupinhos e que te dê apelidos no diminutivo como “boterinha”, caso você seja gorda, ou “prozaquinha”, caso faça um gênero doidinha.
Xico Sá entende as mulheres. Xico Sá infantiliza as mulheres ao assumir a posição do homem que as entende. Porque é difícil entendê-las. Entender quem não sabe se expressar é uma arte que uns poucos homens sensíveis dominam. Precisamos desses porta-vozes para traduzir o que sentimos. Somos mulheres, somos só sentimento, não elaboramos as coisas, ou elaboramos mal. Precisamos de homens sensíveis que peguem nossos sentimentos confusos e transformem em conceitos inteligíveis, em regras de conduta. Precisamos que esses mesmos homens nos digam quais dos nossos sentimentos são legítimos e quais são paranoia.
Xico Sá pensa os gêneros como coisas tão separadas que, segundo ele, homens (de verdade) simplesmente não conseguem enxergar dados concretos expostos pelas mulheres. Homem que é Homem não vê celulite. A celulite é um dado da realidade. Pode ser fotografada, apalpada, tem aparência e textura definidas, tem classificação médica. É um depósito de gordura e tecido fibroso que provoca irregularidades na pele que o reveste. A celulite é ainda uma construção publicitária: surgiu enquanto problema na França, no começo da década de 1970, ápice do movimento feminista. Surgiu para lembrar as mulheres que você não deve tentar melhorar o mundo quando não consegue sequer melhorar sua bunda. Olhe para o seu próprio rabo. Lembre daquele provérbio que diz: quando pensar em mudar o mundo, dê uma volta em sua própria casa. Quando pensar em mudar o mundo, torne-se um neurótico enclausurado.
Celulites são furinhos, estrias são listrinhas. Muitos homens têm estrias já que elas são um rompimento das fibras elásticas que pode acontecer, por exemplo, durante um crescimento repentino na puberdade. Poucos homens têm celulite, é uma questão hormonal. Celulite é uma mesquinharia. Espíritos elevados não enxergam algo tão pequeno. Eu achava que em 2014 um homem normal era aquele que sabia exatamente o que era uma celulite, conseguia enxergá-la perfeitamente e lidava com sua existência do mesmo modo como eu venho lidando com os pelos nas narinas de meus namorados desde que passei a ter namorados (e que eles passaram a ter pelos nas narinas). Eu não preciso glorificar o pelo na narina. Não preciso negar sua existência, tampouco dizer que nunca reparei. Não preciso dizer que não sei a diferença entre um pelo e um cravo. Homem nenhum vai me dar um biscoito e dizer que nunca encontrou uma mulher tão legal na vida caso eu diga algo assim. Eu lido com esses pelos. Eles permanecerão lá quer eu os ache nojentos ou lindos. Por isso eu não preciso achá-los nojentos. Nem lindos. E nunca me ocorreu que o homem ao meu lado pudesse ser desmerecido pelo que traz dentro do nariz. Porque eu fui ensinada a enxergar homens como pessoas, não como objetos. Isso não é um mérito meu, nem da minha educação familiar específica. Eu não enxergo homens como pessoas porque sou bacana, um espírito livre. Eu enxergo homens como pessoas porque isso é fruto do percurso que fizemos até aqui enquanto sociedade.
Homens que enchem a boca para dizer que adoram celulite, que curtem uns pelos, são idiotas condencendentes. O cerne do problema é justamente você achar que deve ter e expressar opinião sobre cada aspecto do corpo de uma outra pessoa. Melhor: de uma categoria de pessoas. Você não tem que opinar sobre isso. Se você tem uma preferência específica sobre um aspecto do corpo da mulher com quem está transando, exponha isso para ela. Se tem várias preferências específicas, exponha isso ao seu analista. Mas não opine sobre como mulheres em geral deveriam manter seus pelos, ou sobre a relação que elas deveriam estabelecer com suas celulites. Fique na sua.
Não enxergar as coisas, não saber a diferença entre elas, não ligar para elas, nada disso é empatia, nada disso é mérito. E não é a empatia de um grupo historicamente privilegiado que vai impulsionar mudança alguma. Não é minha empatia pelos negros que reduz o racismo. Não é minha bondade ao “abrir mão de privilégios” que faz o bondinho da história andar. Não foram textos na internet ensinando o opressor a manerar que nos trouxeram até aqui. Tenho achado muito engraçados uns textos recentes sobre “como homens podem ajudar o feminismo” (spoiler: não podem). Uma das dicas costuma ser: “abrindo mão de seus privilégios”. Ninguém abre mão de privilégio. Ninguém quer ou mesmo pode fazer isso. Um privilégio histórico não é aquele ⅓ do apartamento de papai que você abdicou em favor do irmãozinho desajustado. Eu não abro mão de nenhum dos meus privilégios como branca: são os negros que vêm arrancando esses privilégios de mim, como tem que ser. Me ressinto quando vejo meus privilégios serem arrancados, fecho a mãozinha. Se fico caladinha é porque uma das conquistas do movimento negro foi fazer com que a exposição desse ressentimento fizesse de mim uma idiota no meu meio social. Eu posso perder coisas com isso, amigos, trabalhos. Então fico calada. Um dia, homens como Xico Sá também acharão melhor ficar na deles. Mas hoje não. Hoje eles são amigos dasmulheres e expoentes da ala feminismo de boteco da imprensa brasileira. Posam entre as pernas de uma gostosa enquanto te asseguram que vai dar tudo certo, moça, inclusive aquele seu rolo com o demente que não vê celulite.
obs . nao concordo com tudo óbvio mas vou comprar o livro de Juliana.
http://julianacunha.com/blog/2014/08/01/xico-sa-te-abraca/

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Drummond e a Palestina

Os Ombros Suportam o Mundo

Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Generosidade - Pequeno tratado das grandes virtudes

"Ser generoso é ser livre, e essa é a única verdadeira forma de grandeza." Andrè Comte-Sponville


domingo, 18 de agosto de 2013


Meu vereador Rodrigo Vidal. o PAPO É SÉRIO.
 SEI QUE TEMOS MUITO TRABALHO A FAZER, A UPA DOS ANIMAIS, ROTIWEILERS E PITBULLS VERDADEIRAS FERAS QUE NAO TÊM CULPA E SAO TREINADOS PARA TOMAR CONTA DE CONSTRUÇOES, BURROS PUXANDO CARROÇAS.
 MAS SE ELES CONSEGUIRAM NÓS VAMOS CONSEGUIR TAMBÉM. CACHORROS ABANDONADOS HÁ UNS ANOS ATRÁS ERA COMUM NA EUROPA LEMBRA? Silvia Mayer. ERA DEMAIS. COMO ELES RESOLVERAM ISSO? CHIPANDO OS CACHORROS. VOCE QUER UM CACHORRO? ENTAO SEU CPF E ENDEREÇO ESTARÁ NO CHIP SUBCUTÂNEO. OS CACHORROS SEM CHIP SERAO DE RESPONSABILIDADE DA SECRETARIA.
 EU JÁ VI UMA CENA ERA DE NOITE NO ESCURO PAROU UM FIAT E COLOCOU PRA FORA UM SALSINHA DE 13 ANOS. Terezinha em Piedade , veterinaria de Caique pegou o cachorrinho que está lá até hoje. Naomi.
 MINHA FILHA FOI PARA A CIDADE DO PORTO E FOI OBRIGADA A CHIPAR OS CACHORROS  (NA ÉPOCA SÓ O DR JOAO EMÍLIO DE OLINDA CHIPAVA, AGORA TEM VÁRIOS LOCAIS) MAS É CARO 600 REAIS. 
 SÓ ISSO RESOLVERÁ A IRRESPONSABILIDADES DE "CERTOS SERES HUMANOS"
PARA Cláudia Soares Cláudia Vicência Araújo Terezinha Carvalho Alcina Carvalho Tainá Bergamo

sábado, 17 de agosto de 2013

O Amor

CAETANO VELOSO
Talvez
Quem sabe
Um dia
Por uma alameda
Do zoológico
Ela também chegará
Ela que também
Amava os animais
Entrará sorridente
Assim como está
Na foto sobre a mesa
Ela é tão bonita
Ela é tão bonita
Que na certa
Eles a ressuscitarão
O século trinta vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora vamos alcançar
Tudo o que não
Podemos amar na vida
Com o estrelar
Das noites inumeráveis
Ressuscita-me
Ainda
Que mais não seja
Porque sou poeta
E ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando
Contra as misérias
Do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver
O que me cabe
Minha vida
Para que não mais
Existam amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais
Tenha de sacrificar-se
Por uma casa
Um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
A partir de hoje
A família se transforme
E o pai
Seja pelo menos
O Universo
E a mãe
Seja no mínimo
A Terra
A Terra
A Terra

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O ESVAZIAMENTO DO CONCEITO HISTÓRICO DE CIDADANIA

O esvaziamento do conceito histórico de "cidadania", pela banalização do termo, não consegue mais dar vez e voz à diversidade e à inclusão.
Como falar em conceito de cidadania em uma sociedade classista que já implica exclusão?

Ver: Revolta de Xambá, resistência negra em Pernambuco nos anos 30, a propósito dos Malês na Bahia.
Ver: Discurso histórico enquanto construção social. Bullying. Alessandro Constantin.
Ver: Gardener: Teoria das Inteligências múltiplas.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Contador de Homicídios - POST II

SABE AQUELE CONTADOR DIÁRIO DE HOMICÍDIOS QUE TEM NA PONTE DA CAPUNGA?
POIS É, EU JÁ HAVIA FALADO SOBRE ELE AQUI NO BLOG EM ABRIL DO ANO PASSADO. TÁ NA SEÇÃO ÉTICA E CIDADANIA.
TRATA-SE DE UMA INICIATIVA DE QUATRO JOVENS JORNALISTAS PERNAMBUCANOS PREMIADÍSSIMOS.
"O objetivo do contador de mortos é o de mexer com a população, fazer com que as pessoas tomem conhecimento - nem todos têm acesso à Internet - da calamidade pública que é o fato de 1.511 pernambucanos terem perdido a vida de forma violenta somente em quatro meses", afirma o jornalista Eduardo Machado, um dos criadores do blog. Para o grupo do PEbodycount, o medidor tem a função de controle social. "Não nos acostumamos com a apatia que caracteriza o Estado em relação ao assunto." Eles querem estimular o debate sobre o que cada um pode fazer a respeito da falta de segurança e também cobrar ações das autoridades.

A PROPÓSITO: O CONTADOR HOJE ESTAVA:
HOMICÍDIOS NO DIA DE HOJE: 10
HOMICÍDIOS NO MÊS: 310
ATUALIZADO DIARIAMENTE. PARA INCOMODAR OS POLÍTICOS E A SOCIEDADE EM GERAL.
E AINDA TEM AS ÚLTIMAS PESQUISAS DA UNICEF E DEMAIS RANKINGS.
http://www.pebodycount.com.br/quem-somos/quemsomos.php

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

"Desconfio sempre de todo idealista que lucra com seu ideal."


"Um tirano pode evitar uma fotografia. Mas não pode evitar uma caricatura."






Millôrzinho Fernandes você é simplesmente o máximo! Eu te amo.


"Quando uma ideologia fica bem velhinha vem morar no Brasil."

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Don't feed the troll

Trolls, pra quem não sabe, na linguagem blogueira, são - segundo a Denise - “aqueles espíritos de porco anônimos (ou que até assinam nome, mas ninguém sabe como são, de onde vêm e o que fazem) que têm como principal objetivo na vida xingar e colocar comentários desagradáveis nos blogs alheios. A maioria deles age motivada por discordâncias político-ideológicas, mas há também os stalkers movidos por inveja pessoal ou outro tipo de recalque.”
Relaxa, gente, deixa eles escreverem essa bobagens… não alimentem os trolls… eu respondo às pessoas, aos “trolls”, não… hehehehehe…
*
Mas não é que um troll que se preocupa DEMAIS com a minha pessoa (kkkkkkkkk che ridere...ganho pouco mas me divirto à bessa uahuahuahua) copiou e colou de alguém mais inteligente um .... poema! e me enviou....
Ora bolas kkkkkk
Apenas não perca o seu tempo comigooo! kkkkkkkkk
+
Detalhe: como todos os blogueiros já sabem, não existe mais ninguém anônimo na internet...você deve ser muito nova na blogosfera pra não saber que quando você deixa um recado vem junto o seu IP, que é como um ID da sua conexão, portanto, és de uma ingenuidade imensa, além de falta de educação e do que fazer.
====

terça-feira, 1 de julho de 2008

Baltasar Gracián


"O homem prudente deve ser obrigado a lutar, mas não com jogo sujo: cada um deve agir como quem é e não como o obrigam. Na competição, a elegância é plausível: deve-se lutar não somente com poder, mas também com decência. Vencer com maldade não é vitória, mas rendição. A generosidade sempre foi superior. O homem de bem nunca usa armas proibidas. Como, por exemplo, usar os conhecimentos sobre um amigo com quem brigamos para alimentar o ódio recém-nascido. Não se deve usar a confiança para a vingança. Tudo o que cheira a traição contamina o bom nome. Nas pessoas de espírito elevado, qualquer átomo de baixeza é muito estranho. É melhor pensar que, se a elegância, a generosidade e a fidelidade se perdessem no mundo, deveriam ser procuradas em seu peito." Baltasar Gracián

domingo, 15 de junho de 2008

Que droga de amigo é você que oferece DROGA para o seu amigo? por Marilene Felinto, pernambucana arretada na Caros Amigos


Barriga de cerveja

A indústria de bebida alcoólica no Brasil, especialmente a de cerveja, tem se valido sistemática e vergonhosamente das técnicas de manipulação da propaganda, utilizadas pela publicidade, para sustentar uma verdadeira campanha de embebedamento de toda uma geração de jovens do país, com foco nos rapazes de 13 a 25 anos. É toda uma legião de crianças, adolescentes e jovens adultos apresentando sinais precoces de dependência do álcool – exatamente a camada mais vulnerável e maleável à influência da propaganda.
Não precisa nem ser verão – aqui pelos lados do Sudeste e do Sul, para não mencionar o sempre verão de outras regiões do país – para flagrar bares vendendo bebida alcoólica para crianças e adolescentes sem nenhum constrangimento, sem nenhuma fiscalização, muitas vezes nas proximidades e mesmo nas portas de escolas e universidades. Casos clássicos em São Paulo: os arredores do colégio e cursinho Etapa, na estação Ana Rosa do metrô, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), bem como da Universidade Presbiteriana Mackenzie são regiões coalhadas de bares e botecos por todos os lados. Em vez de livros, muita cerveja. Em vez de bancos nas bibliotecas, cadeiras ao redor de mesas nas calçadas, lotadas de jovens de “porre” ou de “pileque”, erguendo copos como quem ergue troféus.
A campanha publicitária maciça e persistente intensifica-se no verão. Veiculada principalmente pelos canais de televisão, uma guerra surda vai opondo as diversas marcas de cerveja que associam ad nauseam a imagem do consumo dessa bebida à aquisição de uma mulher “boa”, “gostosa”, “redonda”, “bonita” etc. As propagandas são de uma manipulação tão descarada que andam agora usando como símbolos de homens bem-sucedidos no consumo de cerveja (e na conseqüente aquisição de uma mulher “boa”) sujeitos barrigudos e mesmo com histórico de alcoolismo comprovado!Na propaganda da cerveja Antarctica, por exemplo, o garoto-propaganda é o ator Bussunda, um tanto obeso e barrigudo, sim, mas feliz porque tem uma mulher tão “boa” quanto a cerveja que deformou o corpo dele. No comercial da Brahma, o herói é o cantor Zeca Pagodinho, o qual já teria sido internado mais de uma vez por excesso de consumo de álcool e outras complicações.Num anúncio da cerveja Kaiser, a mensagem transmitida diz que, se a pessoa “vier” (o slogan é “vem, vem”) a consumir a cerveja, ganha uma mulher “loirinha, de biquíni, com piercing no umbigo”, o estereótipo da adolescente feminina tão cobiçada pelos rapazes. Faz alguns meses que um episódio relacionado à ascendência devastadora da propaganda sobre as mentalidades jovens me impressionou. Por ocasião da campanha da Schincariol, cujo slogan era “Experimenta”, tive oportunidade de testemunhar um grupo de meninas indo a um baile à fantasia fantasiadas de garrafa de cerveja. A parte de trás do short que usavam estampava, em letras grandes: “Experimenta”! Diante disso, para que serve a frase inócua – “aprecie com moderação” – que “regulamenta” os tais anúncios de cerveja? Que regulamentação é essa? Por que não proíbem de vez os anúncios como proibiram os de cigarro? Existe um mal pior entre o fumo e o álcool?Eis aí a cilada em que vai caindo ingenuamente toda uma geração. Uma das técnicas da lavagem cerebral praticada pelos publicitários no caso dos anúncios de cerveja pode ser chamada de “enquadramento coercivo”, como definem alguns estudiosos dos processos de manipulação empregados pela propaganda. “O enquadramento coercivo”, afirma Philippe Breton, citando Robert-Vincent Joule e Jean-Léon Beauvois, “é uma das formas mais manipulatórias de intervenção na mensagem destinada a convencer. Resulta, verdadeiramente, de uma estratégia destinada a enganar o receptor e que, como não é instantânea – pois funciona em dois tempos –, implica da parte do manipulador uma clara consciência daquilo que faz. Tecnicamente, esse tipo de enquadramento consiste em obter que o auditório adira a uma opinião ou adote um comportamento que não levanta nenhum problema de aceitação (no caso do anúncio de cerveja, conseguir uma mulher maravilhosa). Mas a aceitação dessa opinião ou desse comportamento serve depois de ponto de apoio eficaz para obter anuência a uma segunda opinião – aquela que, na realidade, interessa ao manipulador (no caso do anúncio, fazer com que o receptor da mensagem confunda a aquisição da mulher com o consumo de cerveja). Desse modo, a primeira aquiescência, sem conseqüências, acarreta como que automaticamente – mas, de fato, com uma fortíssima violência subjacente – a segunda, muito mais comprometedora. (...) O enquadramento coercivo ‘é uma tecnologia comportamental’ em que o manipulador efetua um ‘rodeio’ destinado a ‘obter, antes de tudo, um comportamento ou uma decisão que para ele tem apenas interesse como preparação para outras. Essa manipulação não pode, pois, deixar de ser deliberada’. Consiste, portanto, em criar uma situação em que uma primeira decisão leva o indivíduo a cair numa cilada (embriagar-se).”A propaganda só não diz aquilo que é verdadeiro no que se refere ao consumo da cerveja: que ela faz crescer um aleijão de barriga nos homens, além de provocar outros males gravíssimos – desgasta o organismo, altera a mente; compromete a disposição para o trabalho, gera desemprego, violência, acidentes de trânsito; causa todo tipo de doença, lesões no estômago, esôfago, pâncreas, fígado, entre outros. Para não falar da desgraceira que o consumo de álcool estimulado pela indústria da publicidade instaura em milhares de famílias, transformando em alcoólatras – ou “alcoolistas”, como se diz hoje – principalmente pais de família das classes baixas.Não é à toa que a carreira de publicidade e propaganda é das mais disputadas nos vestibulares do país: é uma das mais bem pagas, os publicitários ganham da mídia tufos de dinheiro para inventar os comerciais que envenenam jovens e pais de família, gente que vive num mundo de ilusão e distorção de valores. A mídia paga alto para os publicitários terem menos conflito moral, menos vergonha dessa profissão que não deixa de estar a serviço da consciente ou deliberada degradação dos valores humanos."
*
*
*
Um texto assim tão bem escrito e fundamentado dispensa comentários. Mas...
Tenho alcoolistas na família. Sei bem o quanto é doloroso testemunhar todo o processo de sofrimento e decadência física pelo qual passa o indivíduo que abusou do álcool, principalmente entre os 15 e 30 anos, período em que os neurônios são mortalmente atingidos pela substância. O resultado é uma legião de idosos desmemoriados, vítimas da "demência do alcoolista" frequentemente confundida com o mal de Alzheimer.
Que droga de amigo é você
que oferece para o seu amigo DROGA ??

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Contador de Homicídios? Nas ruas do Recife.


Sou do Recife com orgulho e com saudade, sou do Recife com vontade de chorar..... agora mais do que nunca, pois repare nesta notícia, eu passei por lá e vi pessoalmente:


30/04/2008 - 17h19 - Recife ganha contador eletrônico de assassinatos
Angela Lacerda do UOL No Recife


Capital brasileira campeã em número de homicídios, o Recife conta desde hoje com um contador de mortos na rua. Ele está instalado na esquina das Ruas Joaquim Nabuco e Guilherme Pinto, no bairro central do Derby. O relógio digital, também chamado de "termômetro da violência", informa o número de assassinatos no dia, mês e ano em todo Pernambuco. Diariamente, os números são atualizados. Hoje, apontava: 11 homicídios no dia, 364 no mês, 1.511 no ano. E ainda estamos no final de abril!
Contador eletrônico de assassinatos entra em operação em Recife (PE)
A iniciativa é da página PEbodycount, blog criado há um ano por quatro jornalistas pernambucanos que fazem a contagem, no site (www.pebodycount.com.br), e discutem a segurança pública no Estado. A Faculdade Maurício de Nassau é parceira, assim como a SMM Publicidade & Propaganda, empresa que criou a tecnologia, que permite a atualização dos dados do aparelho via telefone celular.
"O objetivo do contador de mortos é o de mexer com a população, fazer com que as pessoas tomem conhecimento - nem todos têm acesso à Internet - da calamidade pública que é o fato de 1.511 pernambucanos terem perdido a vida de forma violenta somente em quatro meses", afirma o jornalista Eduardo Machado, um dos criadores do blog. Para o grupo do PEbodycount, o medidor tem a função de controle social. "Não nos acostumamos com a apatia que caracteriza o Estado em relação ao assunto." Eles querem estimular o debate sobre o que cada um pode fazer a respeito da falta de segurança e também cobrar ações das autoridades.
Uma pesquisa sobre a insegurança que domina o morador da capital pernambucana, realizada pelo Instituto Maurício de Nassau - vinculado à faculdade - foi divulgada no evento que marcou a instalação do contador eletrônico. O governo de Pernambuco não alcançou o objetivo do plano para a segurança pública Pacto Pela Vida, lançado em maio, com a meta de reduzir em 12% o número de homicídios no período (maio de 2007 a abril de 2008) em relação aos 12 meses anteriores. O balanço ainda não foi fechado, mas a redução deverá ficar em torno de 7%.
Assessor do governador Eduardo Campos (PSB) na área da segurança, o sociólogo e pesquisador José Luiz Ratton, presente ao evento, destacou que o governo do Estado teve o mérito de reverter uma tendência (de número de assassinatos) que parecia ascendente nos últimos anos. A meta de 12% fica mantida para o próximo período.
O PEbodycount havia chamado a atenção para a violência que marca, especialmente, o Grande Recife, com a ação Marcas da Violência - a pintura de um corpo, em vermelho, no chão, nos locais onde ocorriam os assassinatos. A cada morte assinalada no portal do movimento, há um pouco da história da vítima - "uma forma de prestar uma homenagem àqueles com quem as autoridades e a sociedade não se importam". O trabalho do grupo é voluntário, não tem remuneração.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Homenagem à Mulher - todo dia


"Eva Tudor, Tônia(Carrêro), Eva Wilma, Leila (Diniz), Odete(Lara) e Norma (Blum), mulheres do meu tempo, liderando uma passeata em 1968. Minha maior produção são os cartazes de protesto, da retomada dos sindicatos (as famosas Chapas Dois), dos shows estudantis, as camisetas, as marcas e slogans políticos que fiz às centenas, em preto e branco, durante vinte anos que se perdem por aí. Essa foto resgata um deles: um símbolo para mim." ZIRALDO



FAMÍLIA


Três meninos e duas meninas
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.

A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda noite
e a mulher que trata de tudo.

O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.


Carlos Drummond de Andrade

sábado, 8 de março de 2008

8 de Março - quase nada a comemorar

ONDE TEM VIOLÊNCIA TODO MUNDO PERDE
mote da campanha contra a violência doméstica
fonte:Portal Violência contra a mulher: http://copodeleite.rits.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/mapadosite.shtml

*
*
Pernambuco

2006 - 300 mulheres assasssinadas - quase uma por dia
2007 - 323 mulheres assassinadas -
2008 - 65 mulheres até a data de hoje.

A discriminação contra a mulher começa na infância e vai até a velhice. Em alguns casos, começa até mesmo antes do nascimento, na seleção do sexo do embrião.

Tipos de violência

Violência contra a mulher - é qualquer conduta - ação ou omissão - de discriminação, agressão ou coerção, ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico ou perda patrimonial. Essa violência pode acontecer tanto em espaços públicos como privados.
Violência de gênero - violência sofrida pelo fato de se ser mulher, sem distinção de raça, classe social, religião, idade ou qualquer outra condição, produto de um sistema social que subordina o sexo feminino.
Violência doméstica - quando ocorre em casa, no ambiente doméstico, ou em uma relação de familiaridade, afetividade ou coabitação.
Violência familiar - violência que acontece dentro da família, ou seja, nas relações entre os membros da comunidade familiar, formada por vínculos de parentesco natural (pai, mãe, filha etc.) ou civil (marido, sogra, padrasto ou outros), por afinidade (por exemplo, o primo ou tio do marido) ou afetividade (amigo ou amiga que more na mesma casa).
Violência física - ação ou omissão que coloque em risco ou cause dano à integridade física de uma pessoa.
Violência institucional - tipo de violência motivada por desigualdades (de gênero, étnico-raciais, econômicas etc.) predominantes em diferentes sociedades. Essas desigualdades se formalizam e institucionalizam nas diferentes organizações privadas e aparelhos estatais, como também nos diferentes grupos que constituem essas sociedades.
Violência intrafamiliar/violência doméstica - acontece dentro de casa ou unidade doméstica e geralmente é praticada por um membro da família que viva com a vítima. As agressões domésticas incluem: abuso físico, sexual e psicológico, a negligência e o abandono.
Violência moral - ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação da mulher.
Violência patrimonial - ato de violência que implique dano, perda, subtração, destruição ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores.
Violência psicológica - ação ou omissão destinada a degradar ou controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal.
Violência sexual - acão que obriga uma pessoa a manter contato sexual, físico ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimidação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal. Considera-se como violência sexual também o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar alguns desses atos com terceiros.Consta ainda do Código Penal Brasileiro: a violência sexual pode ser caracterizada de forma física, psicológica ou com ameaça, compreendendo o estupro, a tentativa de estupro, o atentado violento ao pudor e o ato obsceno.
*
Fases da violência doméstica
As fases da situação de violência doméstica compõem um ciclo que pode se tornar vicioso, repetindo-se ao longo de meses ou anos.
Primeiro, vem a fase da tensão, que vai se acumulando e se manifestando por meio de atritos, cheios de insultos e ameaças, muitas vezes recíprocos. Em seguida, vem a fase da agressão, com a descarga descontrolada de toda aquela tensão acumulada. O agressor atinge a vítima com empurrões, socos e pontapés, ou às vezes usa objetos, como garrafa, pau, ferro e outros. Depois, é a vez da fase da reconciliação, em que o agressor pede perdão e promete mudar de comportamento, ou finge que não houve nada, mas fica mais carinhoso, bonzinho, traz presentes, fazendo a mulher acreditar que aquilo não vai mais voltar a acontecer.
É muito comum que esse ciclo se repita, com cada vez maior violência e intervalo menor entre as fases. A experiência mostra que, ou esse ciclo se repete indefinidamente, ou, pior, muitas vezes termina em tragédia, com uma lesão grave ou até o assassinato da mulher.
Violência e saúde (física e psicológica)
A violência contra a mulher, além de ser uma questão política, cultural, policial e jurídica, é também, e principalmente, um caso de saúde pública. Muitas mulheres adoecem a partir de situações de violência em casa.
Muitas das mulheres que recorrem aos serviços de saúde, com reclamações de enxaquecas, gastrites, dores difusas e outros problemas, vivem situações de violência dentro de suas próprias casas.
A ligação entre a violência contra a mulher e a sua saúde tem se tornado cada vez mais evidente, embora a maioria das mulheres não relate que viveu ou vive em situação de violência doméstica. Por isso é extremamente importante que os/as profissionais de saúde sejam treinadas/os para identificar, atender e tratar as pacientes que se apresentam com sintomas que podem estar relacionados a abuso e agressão.
Violência e saúde mental
A mulher não deve ser vista apenas como uma “vítima” da violência que foi provocada contra ela, mas como elemento integrante de uma relação com o agressor que ocorre em um contexto bastante complexo, que às vezes se transforma em uma espécie de jogo em que a “vítima” passa a ser “cúmplice”.
A mulher às vezes faz uma denúncia formal contra o agressor em uma delegacia especializada para, logo depois, retirar a queixa. Outras vezes, ela foge para uma casa-abrigo levando consigo as crianças por temer por suas vidas e, algum tempo depois, volta ao lar, para o convívio com o agressor. São situações que envolvem sentimentos, forças inconscientes, fantasias, traumas, desejos de construção e destruição, de vida e de morte.
*
O custo econômico da violência doméstica
Segundo dados do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento:
· Um em cada 5 dias de falta ao trabalho no mundo é causado pela violência sofrida pelas mulheres dentro de suas casas.
· A cada 5 anos, a mulher perde 1 ano de vida saudável se ela sofre violência doméstica.
· O estupro e a violência doméstica são causas importantes de incapacidade e morte de mulheres em idade produtiva.
· Na América Latina e Caribe, a violência doméstica atinge entre 25% a 50% das mulheres.
· Uma mulher que sofre violência doméstica geralmente ganha menos do que aquela que não vive em situação de violência.
· No Canadá, um estudo estimou que os custos da violência contra as mulheres superam 1 bilhão de dólares canadenses por ano em serviços, incluindo polícia, sistema de justiça criminal, aconselhamento e capacitação.
· Nos Estados Unidos, um levantamento estimou o custo com a violência contra as mulheres entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões ao ano.
· Segundo o Banco Mundial, nos países em desenvolvimento, estima-se que entre 5% a 16% de anos de vida saudável são perdidos pelas mulheres em idade reprodutiva como resultado da violência doméstica.
· Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento estimou que o custo total da violência doméstica oscila entre 1,6% e 2% do PIB de um país.
Violência sexual e DSTs/contracepção de emergência
A violência sexual expõe as mulheres e meninas ao risco de contrair DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e de engravidar.
A violência e as ameaças à violência limitam a capacidade de negociar o sexo seguro. Além disso, estudos mostraram que a violência sexual na infância pode contribuir para aumentar as chances de um comportamento sexual de risco na adolescência e vida adulta.
Outra questão importante é que a revelação do status sorológico (estar com o HIV) para o parceiro ou outras pessoas também pode aumentar o risco de sofrer violência.
*
Assédio sexual
O assédio sexual é um crime que acontece em uma relação de trabalho, quando alguém, por palavras ou atos com sentido sexual, incomoda uma pessoa usando o poder que tem por ser patrão, chefe, colega ou cliente.
Segundo o Código Penal - artigo 216-A, incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de maio de 2001 - o crime de assédio sexual prevê pena de detenção, de 1 a 2 anos.
*
O número de denúncias aumentou bastante nos últimos anos, devido a uma das principais ações de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes: a divulgação do disque-denúncia (0800-99-0500), número do Sistema Nacional de Combate à Exploração Sexual Infanto-Juvenil, mantido pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia http://www.abrapia.org.br/).
*
Violência contra as mulheres negras e indígenas
No Brasil, as mulheres negras e indígenas carregam uma pesada herança histórica de abuso e violência sexual, tendo sido por séculos tratadas como máquinas de trabalho e sexo, sem os direitos humanos básicos.
Hoje, as mulheres negras e indígenas sofrem uma dupla discriminação - a de gênero e a racial - acrescida de uma terceira, a de classe, por serem em sua maioria mulheres pobres.
Todos esses fatores aumentam a vulnerabilidade dessas mulheres, que muitas vezes enfrentam a violência não apenas fora, mas também dentro de suas casas.

DIA Internacional de combate à violência contra a Mulher -


Na definição da Convenção de Belém do Pará (Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, adotada pela OEA em 1994), a violência contra a mulher é “qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada”.
“A violência contra as mulheres é uma manifestação de relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres que conduziram à dominação e à discriminação contra as mulheres pelos homens e impedem o pleno avanço das mulheres...”
Declaração sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres, Resolução da Assembléia Geral das Nações Unidas, dezembro de 1993.


A Conferência das Nações Unidas sobre Direitos Humanos (Viena, 1993) reconheceu formalmente a violência contra as mulheres como uma violação aos direitos humanos. Desde então, os governos dos países-membros da ONU e as organizações da sociedade civil têm trabalhado para a eliminação desse tipo de violência, que já é reconhecido também como um grave problema de saúde pública.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), “as conseqüências do abuso são profundas, indo além da saúde e da felicidade individual e afetando o bem-estar de comunidades inteiras.”
De onde vem a violência contra a mulher?


A Violência acontece porque em nossa sociedade muita gente ainda acha que o melhor jeito de resolver um conflito é a violência e que os homens são mais fortes e superiores às mulheres. É assim que, muitas vezes, os maridos, namorados, pais, irmãos, chefes e outros homens acham que têm o direito de impor suas vontades às mulheres.
Embora muitas vezes o álcool, drogas ilegais e ciúmes sejam apontados como fatores que desencadeiam a violência contra a mulher, na raiz de tudo está a maneira como a sociedade dá mais valor ao papel masculino, o que por sua vez se reflete na forma de educar os meninos e as meninas. Enquanto os meninos são incentivados a valorizar a agressividade, a força física, a ação, a dominação e a satisfazer seus desejos, inclusive os sexuais, as meninas são valorizadas pela beleza, delicadeza, sedução, submissão, dependência, sentimentalismo, passividade e o cuidado com os outros.

quarta-feira, 5 de março de 2008

No tempo em que as mulheres eram de verdade ou Meia Idade Inteira Parte II


Vera Gimenez: uma deusa


sem lipoaspiração,

silicone




ou
Photoshop

No tempo em que as mulheres eram de verdade....




Monique Lafond, ontem e hoje, que fazia sucesso exatamente porque não tinha
não tinhas seios !

Eu acho liiindo mulher de seios muito pequenos!

Por que nos mutilamos? (Lya Luft)
"Uma maturidade tranqüila e uma velhice elegante é preferível, à caricatura em que nos tornamos na busca da juventude eterna que é também uma ilusão"
Numa página de revista, um espetáculo deprimente: uma mi-lionária americana de 62 anos expondo um rosto tão desfigurado por plásticas, preenchimentos e outros processos que não era só feio e disforme, mas assustador. Nada mais ali combinava, as sobrancelhas em alturas diferentes, os olhos artificialmente enviesados estavam desemparelhados e o nariz sumia num rosto de lua cheia, fruto de inadequados esticamentos e exageradas invasões.
Há poucos dias vi uma conhecida que não encontrava fazia anos. Senti um choque. O corpo elegante de uma mulher madura era o mesmo. O rosto era uma coisa redonda e intumescida, lisa, com pouco das verdadeiras e simpáticas feições de que eu me lembrava. Os lábios enormes, com algo de genital, os olhos pequenos demais, e seu nariz adunco, em lugar de ter sido corrigido para um pouco menos adunco – embora nunca tivesse sido feio –, era uma pobre batatinha perdida numa paisagem inexpressiva.

Não sou "contra cirurgia plástica". Eu mesma, viúva de maneira súbita e brutal, aos 51 anos tinha o rosto devastado pelo abalo. Fiz um lifting discretíssimo e pequeno, que não me rejuvenesceu – nem eu quereria –, mas talvez tenha tirado um pouco do ar cansado e triste demais.
Portanto, sou a favor de recursos, não para enganar o tempo, o que em geral acaba em resultados desfavoráveis e patéticos, pedindo sempre mais e mais intervenções, mas para abrandar, eventualmente corrigir. A fim de que a pessoa, homem ou mulher, se sinta bem na própria pele.
Não é a juventude que interessa, mas a felicidade e a alegria. Olhar-se no espelho e poder dizer: bem, esta sou eu, aqui está a minha história, o que for excessivo vou corrigir, mas não quero ser uma adolescente eterna, a não ser que minha alma permaneça infantilóide.
Pois a juventude nunca foi a melhor época da vida nem a única época interessante, embora possa cintilar e ferver mais. A cada fase da vida seu próprio encanto e, claro, suas próprias dores. Então, quem sabe a gente – homens e mulheres – procure gostar de si um pouco mais, trocando a fatal tentativa de negar o tempo por saúde, equilíbrio, beleza real e alegria, que fazem um bocado de falta neste mundo nosso.

E Lya vai além em sua luta contra os estereótipos sociais: "Essas coisas que obrigam as pessoas a ser atletas. Hoje é quase uma imposição: a ordem é fazer sexo sem parar, o tempo todo. A ordem é não fumar, não beber. É essa loucura o dia inteiro na cabeça. Quem não for resistente acaba enlouquecendo. E a vida fica para trás. Hoje as pessoas estão sofrendo muito. Um sofrimento absolutamente desnecessário. Especialmente as mulheres que fazem plástica logo que vêem uma ruga no rosto. Plásticas de inteira inutilidade. Na ambição de serem sempre jovens, as mulheres acabam perdendo o próprio rosto. São os falsos mitos da juventude para sempre. E isso também inclui a febre atual da mídia, particularmente nas revistas femininas. Só se fala como se pode ter vários orgasmos numa única noite. Só se fala em como a mulher deve agir para segurar seu homem pelo sexo, especialmente o oral. São fórmulas de um mundo conturbado, que foge ao afeto, distante de qualquer felicidade. Essa é outra coisa para o enlouquecimento. Em todo lugar, o que existe é a supervalorização do sexo. Quem não estiver fazendo sexo sem parar o tempo todo passa a ser anormal. Muita gente fica complexada porque não consegue vários orgasmos numa noite. É tudo uma imposição". A autora diz ser uma constatação precária dizer que ela escreve sobre mulheres. Mulheres não são seus personagens exclusivos. “Escrevo sobre o que me assombra”.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

No dia Internacional da Mulher 8 de Março É PROIBIDO SER MULHER


É proibido ter passado.

É proibido ser quem você é.

É proibido não ser virgem.

É proibido ter amado.

É proibido ter morado junto.

É proibido ter sentido desejo.

Na mente, no corpo, no sexo.


É proibido gozar.

Gozar é feio.

Mulher não goza.

Mulher não trepa.


É proibido fazer dieta.

É proibido fazer escova.

É proibido pintar as unhas de vermelho.

É proibido usar decote.

É proibido receber os amigos em casa.

É proibido ter casa se não se casa.


É proibido sair à noite sozinha, voltar para casa tão tarde.

Mulher não deveria beber.

Mulher não deveria saber.

Mulher não deveria querer.

Nem trabalhar.

Nem pagar suas contas.

Nem trepar.


Mulher abaixa a cabeça.

Mulher fala manso.

Mulher não diz palavrão.

Mulher não sente tesão.

Mulher é educada.

Mulher é mosca morta.

Mulher não se vinga.

Mulher não grita, não quebra prato, não se irrita.

Mulher não bebe muito.

Mulher não bebe cerveja
.

Mulher nem bebe.

Só água, sucos e coquetéis sem álcool.


Mulher não vai ao estádio.

Mulher não vê jogo.

Mulher não anda em bar.

Mulher não conta piada.

Mulher é a piada na cabeça de machistas anacrônicos de plantão.



Conte-me outra.

Se assim é,

não posso ser uma mulher.

Mulher, meu caro, é tudo que se quer.

Ser.



fonte: site A vida em palavras http://alenacairo.wordpress.com/category/mad-alena/

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Frei Beto e todas as crianças



Todas as crianças
*
Frei Betto
Todas as crianças querem a paz no mundo, mas nem todas são educadas livres da ótica da discriminação, do preconceito, em condições de encarar, como dotados de igual dignidade, brancos, negros, amarelos e indígenas.
*
Todas as crianças gostam de falar com Deus, mas nem todas aprendem que Deus ama, sem distinção, muçulmanos, judeus, cristãos, adeptos do candomblé, do Santo Daime, e até mesmo quem não crê.
Todas as crianças necessitam brincar, mas nem todos os pais têm condições de evitar que enveredem pela senda do trabalho precoce, do ponto de esmola na esquina, da exploração sexual, das sendas do crime.
Todas as crianças adoram perder tempo com seus amigos e amigas, mas algumas tornam-se adultas antes do tempo, devido à agenda sobrecarregada imposta pela família, com aulas de balé e natação, de idiomas e de música, sem nunca terem se sujado no barro. Ou, empobrecidas, são obrigadas a lutar desde cedo pela sobrevivência.
Todas as crianças são dotadas de incomensurável fantasia, mas muitas não têm sonhos próprios, porque delegaram à TV o direito de imaginar por elas. Assim, crescem saturadas de (des)informações que não processam, vulneráveis em seu código de valores e confusas quanto aos princípios éticos a serem abraçados.
Todas as crianças são generosas, mas nem sempre há quem lhes ensine partilhar o que acumulam nos armários, na lancheira e no coração.
Todas as crianças precisam de muito amor, mas nem todas conhecem quem preste atenção no que falam e fazem, passeie com elas nos fins de semana, evite barganhar o carinho sonegado por presentes e promessas.
Todas as crianças gostam de doces, mas nem todas são educadas para apreciar frutas e verduras, evitando desde cedo preencher com a boca o que lhes falta no coração.
Todas as crianças adoram ouvir histórias, mas nem todas conhecem quem se disponha a contar-lhes o mundo da carochinha ou a ler para elas os textos sagrados.
Todas as crianças imitam adultos que admiram, mas nem todas aprendem a conhecer Jesus e Francisco de Assis, Gandhi e Che Guevara, e crescem empolgadas com o exterminador do passado, do presente e do futuro.
Todas as crianças são sedentas de alegria, mas como esperar que sorriam se os adultos discutem na frente delas ou expressam seu racismo, seu ódio e sua ganância por dinheiro e bens?
Todas as crianças ignoram a morte como ameaça real, e nenhuma delas se propõe a matar o semelhante, a fabricar ou comercializar armas, a bombardear populações civis. Se uma criança rouba, droga-se ou mata é porque o mundo dos adultos condenou-a a ser o reverso de si mesma.
Todas as crianças adoram sonhar, mas se não encontram pelo caminho quem infle os seus sonhos, como um balão que voa rumo à utopia, correm o risco de buscar na química das drogas o que lhes falta em auto-estima.
Todas as crianças são convencidas de que, entregue nas mãos delas, o mundo seria bem melhor, pois nenhuma delas suporta ver o semelhante com fome, na miséria ou vítima de guerras.
Todos nós deveríamos cultivar para sempre a criança que um dia fomos.




Caros amigos - novembro 2007

sábado, 24 de novembro de 2007

O que é ser de ESQUERDA?


Achei arretado, e por isso reproduzo aqui, essas duas cartas à redação da Revista Caros Amigos, maio 2007:


"Acho que ser de esquerda é mais do que um partido político, mais do que um muro, mais do que um livro, mais do que um presidente. Ser de esquerda é não olhar somente para o próprio umbigo, é saber que há mais pessoas nesse mundão, é amar o próximo. Todo ser humano que vê que o mundo está errado, que fica revoltado quando assiste na televisão aquelas crianças com barriga grande desnutridas na África, ou mesmo no Brasil, ou, todo sujeito que tem vontade de mudar tudo isso, é de esquerda. Pense em Jesus Cristo, um comunista antes do comunismo.[...] Sou de esquerda e vou continuar sendo até meu último suspiro." Régis Mendes Munhoz.


"Ser de esquerda é sensibilizar-se ao ver uma árvore ser cortada. É fechar a torneira enquanto escova os dentes. É reciclar. É não passar horas no chuveiro. É guardar o lixo na bolsa até encontrar uma lixeira. [...] Ser de esquerda é sentir-se mal ao ver um deficiente físico pedindo esmolas nas ruas. O mesmo para crianças, mulheres, idosos, qualquer um. É dar passagem no trânsito, respeitar as diferenças. Indignar-se vendo um negro ser abordado por policiais, sob suspeita sem fundamento. Cobrar seus direitos, ser crítico, ser ético. [...] A esquerda é na verdade um estado de espírito. " Lucas Moreira Sales