Mostrando postagens com marcador Pernambuco falando para o mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pernambuco falando para o mundo. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de agosto de 2014

O machismo porco chauvinista escondido na brodagem - prestenção


Adoro os textos tanto da juliana cunha quanto do Chico Sá.  Só que o Chico não se admite machista e é.
vamos ler que texto massa:
"Caso se sinta incompreendida, Xico Sá te dará um abraço. Não se sinta feia, Xico Sá está aqui para te dar colo dizendo que macho que é macho não sabe a diferença entre estria e celulite. Macho que é macho liga quando promete, não enxerga rugas, é incapaz de notar que você engordou cinco quilos. O que são cinco quilos na grande ordem das coisas? O Homem de Verdade prega a imaterialidade dos cinco quilos. Com a cabeça nas grandes questões da humanidade ou na concretude do trabalho braçal, não consegue se ater a esse tipo de pequeneza.
É incrível a lista de itens cotidianos que um Homem de Verdade não enxerga, não compreende, não sabe diferenciar. Sua tolerância assume a forma de uma completa falta de percepção. Seus problemas, moça, suas inseguranças, não são fruto de processos históricos concretos, são apenas miragens. De repente você não é uma adulta que percebe o quanto a sociedade é exigente com você (especificamente com você) e que se frustra diante disso: você é uma criança, moça, uma criança boba vendo chifre em cabeça de cavalo. Tudo que você precisa é de um Homem de Verdade para lhe assegurar que seus fantasmas não existem, pois ele não pode vê-los. A lente da razão não pode vê-los, moça, por isso deixe de bobagem, deixe que seu homem te diga com que se preocupar, deixe que ele te separe por grupinhos e que te dê apelidos no diminutivo como “boterinha”, caso você seja gorda, ou “prozaquinha”, caso faça um gênero doidinha.
Xico Sá entende as mulheres. Xico Sá infantiliza as mulheres ao assumir a posição do homem que as entende. Porque é difícil entendê-las. Entender quem não sabe se expressar é uma arte que uns poucos homens sensíveis dominam. Precisamos desses porta-vozes para traduzir o que sentimos. Somos mulheres, somos só sentimento, não elaboramos as coisas, ou elaboramos mal. Precisamos de homens sensíveis que peguem nossos sentimentos confusos e transformem em conceitos inteligíveis, em regras de conduta. Precisamos que esses mesmos homens nos digam quais dos nossos sentimentos são legítimos e quais são paranoia.
Xico Sá pensa os gêneros como coisas tão separadas que, segundo ele, homens (de verdade) simplesmente não conseguem enxergar dados concretos expostos pelas mulheres. Homem que é Homem não vê celulite. A celulite é um dado da realidade. Pode ser fotografada, apalpada, tem aparência e textura definidas, tem classificação médica. É um depósito de gordura e tecido fibroso que provoca irregularidades na pele que o reveste. A celulite é ainda uma construção publicitária: surgiu enquanto problema na França, no começo da década de 1970, ápice do movimento feminista. Surgiu para lembrar as mulheres que você não deve tentar melhorar o mundo quando não consegue sequer melhorar sua bunda. Olhe para o seu próprio rabo. Lembre daquele provérbio que diz: quando pensar em mudar o mundo, dê uma volta em sua própria casa. Quando pensar em mudar o mundo, torne-se um neurótico enclausurado.
Celulites são furinhos, estrias são listrinhas. Muitos homens têm estrias já que elas são um rompimento das fibras elásticas que pode acontecer, por exemplo, durante um crescimento repentino na puberdade. Poucos homens têm celulite, é uma questão hormonal. Celulite é uma mesquinharia. Espíritos elevados não enxergam algo tão pequeno. Eu achava que em 2014 um homem normal era aquele que sabia exatamente o que era uma celulite, conseguia enxergá-la perfeitamente e lidava com sua existência do mesmo modo como eu venho lidando com os pelos nas narinas de meus namorados desde que passei a ter namorados (e que eles passaram a ter pelos nas narinas). Eu não preciso glorificar o pelo na narina. Não preciso negar sua existência, tampouco dizer que nunca reparei. Não preciso dizer que não sei a diferença entre um pelo e um cravo. Homem nenhum vai me dar um biscoito e dizer que nunca encontrou uma mulher tão legal na vida caso eu diga algo assim. Eu lido com esses pelos. Eles permanecerão lá quer eu os ache nojentos ou lindos. Por isso eu não preciso achá-los nojentos. Nem lindos. E nunca me ocorreu que o homem ao meu lado pudesse ser desmerecido pelo que traz dentro do nariz. Porque eu fui ensinada a enxergar homens como pessoas, não como objetos. Isso não é um mérito meu, nem da minha educação familiar específica. Eu não enxergo homens como pessoas porque sou bacana, um espírito livre. Eu enxergo homens como pessoas porque isso é fruto do percurso que fizemos até aqui enquanto sociedade.
Homens que enchem a boca para dizer que adoram celulite, que curtem uns pelos, são idiotas condencendentes. O cerne do problema é justamente você achar que deve ter e expressar opinião sobre cada aspecto do corpo de uma outra pessoa. Melhor: de uma categoria de pessoas. Você não tem que opinar sobre isso. Se você tem uma preferência específica sobre um aspecto do corpo da mulher com quem está transando, exponha isso para ela. Se tem várias preferências específicas, exponha isso ao seu analista. Mas não opine sobre como mulheres em geral deveriam manter seus pelos, ou sobre a relação que elas deveriam estabelecer com suas celulites. Fique na sua.
Não enxergar as coisas, não saber a diferença entre elas, não ligar para elas, nada disso é empatia, nada disso é mérito. E não é a empatia de um grupo historicamente privilegiado que vai impulsionar mudança alguma. Não é minha empatia pelos negros que reduz o racismo. Não é minha bondade ao “abrir mão de privilégios” que faz o bondinho da história andar. Não foram textos na internet ensinando o opressor a manerar que nos trouxeram até aqui. Tenho achado muito engraçados uns textos recentes sobre “como homens podem ajudar o feminismo” (spoiler: não podem). Uma das dicas costuma ser: “abrindo mão de seus privilégios”. Ninguém abre mão de privilégio. Ninguém quer ou mesmo pode fazer isso. Um privilégio histórico não é aquele ⅓ do apartamento de papai que você abdicou em favor do irmãozinho desajustado. Eu não abro mão de nenhum dos meus privilégios como branca: são os negros que vêm arrancando esses privilégios de mim, como tem que ser. Me ressinto quando vejo meus privilégios serem arrancados, fecho a mãozinha. Se fico caladinha é porque uma das conquistas do movimento negro foi fazer com que a exposição desse ressentimento fizesse de mim uma idiota no meu meio social. Eu posso perder coisas com isso, amigos, trabalhos. Então fico calada. Um dia, homens como Xico Sá também acharão melhor ficar na deles. Mas hoje não. Hoje eles são amigos dasmulheres e expoentes da ala feminismo de boteco da imprensa brasileira. Posam entre as pernas de uma gostosa enquanto te asseguram que vai dar tudo certo, moça, inclusive aquele seu rolo com o demente que não vê celulite.
obs . nao concordo com tudo óbvio mas vou comprar o livro de Juliana.
http://julianacunha.com/blog/2014/08/01/xico-sa-te-abraca/

sábado, 26 de janeiro de 2013

O Metrô de superfície do Recife

Hoje andei de metrô em Recife pela primeira vez! QUE MARAVILHA! Rápido, sem engarrafamentos, ar condicionado, conforto, barato, seguro, sem violência. O RECIFE PRECISA DE MAIS LINHAS DE METRÔ! É DISSO QUE O RECIFE PRECISA. METRO DE SUPERFÍCIE É MAIS BARATO, NÃO TEM QUE ESBURACAR A CIDADE!!!! MAS.... E O LOBBY DAS EMPRESAS DE ÔNIBUS TIPO BORBOREMA???? Intrigada com isso comversei com uma grande amiga que é especialista em transporte público, Fernanda Gouvêa. Eis o que ela me disse:

"O metro é a rainha das tecnologias em transporte urbano, sonho de todos, mas o preço do km é bem maior que os sistemas sobre rodas como o ônibus e os BRTs, o desafio é como ter um transporte acessível a toda a população ou seja que ela suporte pagar.
A licitação das linhas da RMR deve trazer qualidade com uma tarifa que a população possa pagar. Empresas do Brasil e de outros países poderão concorrer. Vamos fazer fé que isso venha a melhorar progressivamente o TC e que venham mais investimentos .
O metrô não precisa disputar espaço nas vias públicas com os veículos particulares, isso dá velocidade e confiabilidade. A questão toda é que o Brasil optou pelo automóvel na década de 1950 e por muito tempo só os ricos puderam desfrutar disso.
Agora estamos num gargalo. Todos querem transporte publico de qualidade. Ta na pauta da classe média. Isso é o que temos que lutar. Como na Europa o mesmo transporte para todos. Democracia nas vias públicas."

Eis aqui a opinião de outro amigão meu, Zeliel, este usuário do metrô:
  "ANGÉLICA ,MINHA AMIGA, VOCÊ ESTAR FORA DE REALIDADE. PEGA ESSE METRÔ NO HORÁRIO DE PICO.
ENTÃO IRÁ VER O QUE É SUPER LOTAÇÃO, SE VOCÊ LEVANTAR UM PÉ VIRA SACI, PERDE O LUGAR."
  
E como fica o meu sonho de um mundo possível?


sábado, 19 de janeiro de 2013

Luiz Felipe Pondé -

Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé (Recife, 1959) é um filósofo e ensaísta conservador brasileiro de origem judaica, tem uma linha de pensamento marcada pelo pessimismo e pelo conservadorismo. Fez seu doutorado pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade de Paris VIII. Participou de pós-doutorado na Universidade de Tel Aviv. Atualmente é Vice-Diretor e Coordenador de Curso da Faculdade de Comunicação da FAAP; professor de Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e de Filosofia na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).
Bem, feitas as apresentações, ontem assisti no canal futura à entrevista de Bia Correa do Lago com Pondé.
Uma delícia. Adoro Pondé, grande filósofo pernambucano da contemporaneidade.

Ele fala de sua vida desde a infância, sua origem judaica, em um colégio jesuíta em Salvador e sua fase agostiniana, até a faculdade de medicina e sua fase freudiana. Até chegar em Pascal que também era agostiniano.
Fala do seu ceticismo, e que o caminho natural do cético é ser conservador e que o ceticismo não é em relação à religião, tem a ver sim com a razão.
Que sempre prestou atenção no trágico pois seu trajeto foi e é trágico. Todos nós vivemos uma luta interna com o pecado, perdidos dentro de nós, andando em círculos.
No curso de Medicina ele já era um trágico, mas sem repertório(rsrs).
No dia em que chega à França para seu doutorado ocorre a morte de seu orientador e ele se vê orfão. (o trágico em sua vida novamente). Passa a estudar desde os céticos gregos, mais do cristianismo agostiniano até Nietzsche. Mas sua maior influência é mesmo Pascal. (Blaise Pascal).
Hoje é colunista da Folha de São Paulo e tem vários livros de sucesso publicados, entre eles : O homem insuficiente: Comentários de Psicologia Pascaliana (2001) e Conhecimento na desgraça: Ensaio da Epistemologia Pascaliana (2004), Crítica e profecia: filosofia da religião em Dostoiévski (2003), Do pensamento no deserto: Ensaio de Filosofia, Telogia e Literatura (2009) e Contra um mundo melhor: Ensaios do Afeto (2010), O Catolicismo Hoje (2011), Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (2012). Todos imperdíveis!!!!
É professor de Teologia Histórica na PUC.
Ainda se considera um ateu mas hoje com algumas vibrações.....

quarta-feira, 7 de abril de 2010

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

As Palavras Andantes - Eduardo Galeano


Com Gravuras de J.Borges. Aí Bezerros cidade amada!


"Ninguém conseguirá matar aquele tempo, ninguém vai conseguir jamais: nem nós. Digo: enquanto você existir, onde quer que esteja, ou enquanto eu existir.

"Diz o almanaque que aquele tempo, aquele pequeno tempo, já não existe; mas nesta noite meu corpo nu está transpirando você."
"Desde que a viu, a vê. E não vê mais nada."

" E assim foi até que não foi mais."

" Houve uma vez que foi a primeira vez, e então o bicho humano ergueu-se e suas quatro patas se tranformaram em dois braços e duas pernas, e graças às pernas os braços ficaram livres e puderam fazer casa melhor que a copa da árvore ou a caverna do caminho. E tendo-se erguido, a mulher e o homem descobriram que é possível fazer amor cara a cara e boca a boca, e conheceram a alegria de olhar nos olhos durante o abraço de seus braços e o nó de suas pernas."


" [...]
- Mas não foi bem assim.
- E que é que diz que não foi?
- Deus.
- Ah.
- O Grão Cão.
- E você viu ele?
- Quem vê fica cego. Eu senti. Estava de costas e senti aquele sagrado todo. [...]"


"A fome come o medo. O medo do silêncio atordoa as ruas.
O medo ameaça:
Se você amar, vai pegar aids.
Se fumar, vai ter câncer.
Se respirar, vai se contaminar.
Se beber, vai ter acidentes.
Se comer, vai ter colesterol.
Se falar, vai perder o emprego.
Se caminhar, vai ter violência.
Se pensar, vai ter angústia.
Se duvidar, vai ter loucura.
Se sentir, vai ter solidão."



"A Igreja diz: o corpo é uma culpa.
A ciência diz: o corpo é uma máquina.
A publicidade diz: o corpo é um negócio.
O corpo diz: Eu sou uma festa."


" A mãe abnegada exerce a ditadura da servidão.
O amigo solícito exerce a ditadura do favor.
A caridade exerce a ditadura da dívida.
A liberdade de mercado permite que você aceite os preços
que lhe são impostos.
A liberdade de opinião permite que você escute aqueles que
opinam em seu nome.
A liberdade de eleição permite que você escolha o molho
com o qual será devorado."

domingo, 10 de janeiro de 2010

Quando a literatura me traduz

O pernambucano Osman Lins no conto Noivado

- Sua mãe procurava dar a impressão de mártir. De uma santa. Nunca vi alguém mais preocupado, neste mundo, em ter uma aparência angélica. [...] Nunca sabia nada, a ingênua. Tinha sempre a cabeça meio pendida, como a das imagens baratas, e as mãos cruzadas no regaço. Ignorava os escândalos mais notórios. Para fingir que não se ocupava dos assuntos alheios e ouvir mais uma vez, com novos pormenores, o que já sabia. Sempre admirando-se.
- Apesar dos pesares, era boa mulher e carinhosa comigo. [...] Insistia para que eu casasse. Contanto que ficasse em sua companhia.
- Sabia que mulher nunhuma aguentaria isto. Sua maneira oblíqua de atormentar era invencível.
- Não é piedoso falar assim dos mortos.
- Acho que, quando não se tem substância tudo é pretexto para negações.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A PONTE


Como é que faz pra lavar a roupa?
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?

No horizonte, no horizonte

Este lugar é uma maravilha

Mas como é que faz pra sair da ilha?

Pela ponte, pela ponte
A ponte não é de concreto, não é de ferro

Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar

Caminhar sobre as águas desse momento

A ponte nem tem que sair do lugar

Aponte pra onde quiser

A ponte é o abraço do braço do mar

Com a mão da maré

A ponte não é para ir nem pra voltar

A ponte é somente pra atravessar

Caminhar sobre as águas desse momento

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Antonio Maria - Parte II

Na televisão era famoso o programa "Preto no Branco", de Oswaldo Sargentelli, onde sempre aparecia uma "pergunta de Antônio Maria, da produção do programa", geralmente muito embaraçosa. Fez, com Ary Barroso, durante todo o ano de 1957, um programa de sucesso: "Rio, Eu Gosto de Você", na TV Rio. Maria gostava de alfinetar os entrevistados. Um dia perguntou a Sandra Cavalcanti, candidata a deputada: "Quer dizer, dona Sandra, que a senhora é mal-amada?" A resposta de Sandra, dizem os espectadores da cena, assegurou-lhe a eleição. — Posso até ser, senhor Maria, mas não fui eu que fiz aquela música Ninguém me ama.
.
.
Aracy de Almeida foi uma de suas grandes amigas. Sabia tudo sobre Antônio Maria e, mesmo assim, como dizia brincando, continuava a gostar dele. Era desprovido de qualquer cerimônia: uma vez pediu a ela ajuda para colocar um supositório ("Já tentei todas as posições e não consegui nada."). Em outra oportunidade, ele e Vinícius de Morais, também seu grande amigo, tentavam cumprir um compromisso assumido: fazer um jingle para o lançamento de um... regulador feminino. Estavam com inúmeros outros trabalhos e foram pedir ajuda a Aracy. Ela, sem pensar muito, tomando emprestada a melodia de O orvalho vem caindo, de Noel, atacou de pronto: "— O ovário vem caindo...".
.
.
Carlos Heitor Cony dizia que se o autor fosse mandado para cobrir a posse do papa, voltaria cardeal. Cony conta: "Um dia, Maria me telefona: — Carlos Heitor, Carlos Heitor, você nunca me enganou." Disse então que, vindo de São Paulo, viu no avião uma mulher linda lendo o livro Matéria de Memórias, de Cony. Aproximou-se, se apresentou como o autor do livro, e a mulher, uma típica apaixonada, acreditou. Pintou para ela um quadro bastante dramático: era um desgraçado, que nunca tinha tido sucesso, que as mulheres o abandonavam. "— Mas, Maria..." era tudo o que o espantado Cony conseguia dizer. "— Fica tranqüilo, Cony, fica tranqüilo porque em seguida nós fomos pra cama. Ou melhor, você foi pra cama." E Cony, curioso: "— E ai?" "— E aí foi que aconteceu o problema" — gargalhava Maria. "— E ai você broxou, Cony, você broxou!"

terça-feira, 15 de abril de 2008

Pernambucano arretado


Mulher dos outros
Antônio Maria
Dia claro. Primeiras horas do dia claro. Havíamos bebido e procurávamos um café aberto, para uma média, com pão-canoa. Quase todos estavam fechados ou não tinham ainda leite ou pão. Fomos parar em Ipanema, num cafezinho, cujo dono era um português e nos conhecia de nome de notícia. Propôs-nos, em vez de café, um vinho maduro, que recebera de sua terra, "uma terrinha (como disse) ao pé de Braga". Não se recusa um vinho maduro, sejam quais forem as circunstâncias. Aceitamo-lo. Nossa grata homenagem a José Manuel Pereira, que nos deu seu vinho.Nesse café, além de nós, havia um casal, aos beijos. As garrafas vazias (de cerveja) eram quatro sobre a mesa e seis sob. Beijavam-se, bebiam sua cervejinha e voltavam a beijar-se. Não olhavam para nós e pouco estavam ligando para o resto do mundo. Em dado momento, entraram dois rapazes e pediram aguardente no balcão. Ambos disseram palavrões, em voz alta. O casal dos beijos e da cerveja parou com as duas coisas. Outros palavrões e o cabeça do casal protestou: — Pára com isso, que tem senhora aqui! Um dos rapazes dos palavrões: — Não chateia!— Não chateia o quê? Pára com isso agora! Um dos rapazes do palavrão: — E essa mulher é tua mulher?— Não é, mas é mulher de um amigo meu!A briga não foi adiante. Todos rimos. O dono da casa, os rapazes dos palavrões, o casal. Está provado que: quem sai aos beijos com mulher de amigo não tem direito a reclamar coisa alguma.
.
.
Nossa homenagem ao autor na passagem de seus 72 anos de nascimento no dia 17 de março.
Publicada originalmente no jornal Última Hora – Rio de Janeiro, de 23-08-1960, foi extraída do livro “Benditas sejam as moças: as crônicas de Antônio Maria”, Editora Civilização Brasileira – Rio de Janeiro, 2002, organização de Joaquim Ferreira dos Santos, pág. 115.

sábado, 5 de abril de 2008

Rebordosa - mas pode chamar de sarrrabulho, caldo ou vaca para os surfistas: como sobreviver à uma


Bem hoje graças à Rebordosa, Rê para os íntimos, conheci um blog com o qual me identifiquei deveras: La donna è mobile. Vou colocar na minha lista de blogs simpatissíssimos, nao deixem de visitar, que mulher! Che donna!

Então - coincidência?
ou não existem co-incidências? - nesse bolg vi tanta coisa linda....

Eu tinha acordado mal, achando a vida uma espelunca de quinta categoria, mas aí , nesse blog meus olhos se encheram de palavras, imagens, sons, outras possibilidades, o tempo foi passando, e eu nem me lembrava mais o que era que eu ia fazer com a Rebordosa!

Então aqui vai uma das preciosidades deste blog, tão bem cuidado, criterioso, um oasis na web:

Um brinde, não vários drinques à Rebordosa que me apresentou a Alana!


Às vezes me sinto muito só.
Sem ontem e sem amanhã.
Não adianta que haja pessoas em volta de mim.
Mesmo as mais queridas.
Só se está só ou acompanhado, dentro de si mesmo.
Estou muito só hoje.
Duas ou três lembranças que me fizeram companhia, desde segunda-feira, eu já gastei.
Não creio que, amanhã, aconteça alguma coisa de melhor.

do nosso querido Antônio Maria,
em seu Diário.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

A dor é minha, a dor, não é de mais ninguém....

QUANDO EU TOU SOFRENDO DE ME ACABAR ME RASGANDO, É ELE QUE EU LEIO, É AQUI, NA TERRINHA QUE EU ENCONTRO ALENTO E CARINHO



Sempre leio Eduardo Valença, é um dos meus filósofos preferidos, lembrando que, desde Aristóteles e Platão os filósofos nunca se livram da incumbência de repetir o óbvio:
.


"Um relacionamento só pode dar certo se os envolvidos aceitam-se como são.
Se, por ventura, insatisfeita, uma das partes, anseia por um desejo de mudança, isto só pode ser mencionado uma única vez. A repetência, nesse caso, gera um nefasto resultado: a resistência." Don Eduardo Valença - São Bento d'Una.
.
Agora com sua licença vou chorar

Verdade Chinesa
Gilson - Carlos Colla

Era só isso que eu queria da vida:
Uma cerveja, uma ilusão atrevida
Que me dissesse uma verdade chinesa,
Uma intenção de um beijo doce na boca.
A tarde caiu e te levanta a magia,
Quem sabe a gente vai se ver outro dia,
Quem sabe o sonho vai ficar na conversa,
Quem sabe até a vida pague essa promessa.
.
Muita coisa a gente faz
Seguindo o caminho que o mundo traçou,
Seguindo a cartilha que alguém ensinou,
Seguindo a receita da vida normal.
.
Mas o que é a vida afinal?
Será que é fazer o que o Mestre mandou
E comer o pao que o diabo amassou
Perdendo da vida o que tem de melhor . . .
.
Senta, se acomoda a vontade,
Tá em casa, toma um copo,
Dá um tempo e a tristeza vai passar. . .
Deixa pra amanhã,Tem muito tempo,
O que vale é o sentimento
E o amor que a gente tem no coração . . .

sábado, 13 de outubro de 2007

Marcelino Freire - sertanejo, pernambucano arretado de Sertânia

Marcelino, prêmio Jabuti 2006

Abaixo, o conto Belinha do livro Angu de Sangue, na poderosa e impecável interpretação de Walmor Chagas. Dá-lhe Marcelino! Pernambuco falando para o mundo!

http://www.youtube.com/watch?v=RLBKjlFFFks

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

J.Borges - Xilogravuras: Bezerros falando para o mundo!



O ateliê no município de Bezerros, agreste pernambucano, está abarrotadas de obras de arte que já dividiram espaço no Museu do Louvre com Leonardo da Vinci e Botticelli. José Francisco Borges, que nasceu em 1935, o autor das peças, é um dos artistas folclóricos mais celebrados da América Latina. Apenas em uma turnê, J. Borges, como ficou conhecido, percorreu 20 países europeus. Foi tema de uma reportagem no The New York Times. Como se vira só com o português? 'Sou matuto, mas não sou burro.'
Convidado para dar palestras nos EUA, na França, na Venezuela e na Suíça, ministrou aulas sobre xilogravuras e cultura do cordel com a ajuda de tradutores. 'Mas não sou rico, não!'Suas gravuras ilustram livros publicados no Brasil, na França, em Portugal, na Suíça e nos Estados Unidos.
É o artista que sustenta toda a família. E que família. São dez filhos, a mulher e duas ex.
As conquistas de J. Borges são uma grande vitória para um sertanejo vindo de um ambiente de dificuldades.
A descoberta foi por acaso. Talhou uma igrejinha num pedaço de imburana. Seguiu colocando na madeira o ideário sertanejo: o diabo, Lampião, prostitutas, vaqueiros, festas de São João.
A partir de 1970 as obras chegaram até o escritor Ariano Suassuna, que virou seu padrinho. Os trabalhos passaram a circular nos meios acadêmicos e artísticos, que antes viam com desdém a xilogravura. As ilustrações de J. Borges estamparam capas de discos e livros, como As Palavras Andantes, do escritor uruguaio Eduardo Galeano. As camisetas são um sucesso!
Ele mantém no ateliê uma máquina tipográfica, gravadora artesanal do século XIX.
*
*
Fonte: síto da Fundação Joaquim Nabuc0 - Recife PE