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sábado, 2 de agosto de 2014

Com pedaços de mim estou tentando montar uma pessoa

Faz uma ano que eu nao posto uma crítica dos livros que tenho lido!! Tempo tempo rei.
Minha média de 2 livros por semana não conseguiu se manter mas li pelo menos 30 livros que vou tentar aqui relacionar e dar uma nota de 0 a 10 com um pingo de conta gotas de comentário:

Gabriel Garcia Marques
O baile da ilha fiscal
Marcel Proust
Bukowski
Tolstoi
Saramago Memorial do Convento
Calvino no original
Pinocchio no original

sábado, 19 de janeiro de 2013

Luiz Felipe Pondé -

Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé (Recife, 1959) é um filósofo e ensaísta conservador brasileiro de origem judaica, tem uma linha de pensamento marcada pelo pessimismo e pelo conservadorismo. Fez seu doutorado pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade de Paris VIII. Participou de pós-doutorado na Universidade de Tel Aviv. Atualmente é Vice-Diretor e Coordenador de Curso da Faculdade de Comunicação da FAAP; professor de Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e de Filosofia na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).
Bem, feitas as apresentações, ontem assisti no canal futura à entrevista de Bia Correa do Lago com Pondé.
Uma delícia. Adoro Pondé, grande filósofo pernambucano da contemporaneidade.

Ele fala de sua vida desde a infância, sua origem judaica, em um colégio jesuíta em Salvador e sua fase agostiniana, até a faculdade de medicina e sua fase freudiana. Até chegar em Pascal que também era agostiniano.
Fala do seu ceticismo, e que o caminho natural do cético é ser conservador e que o ceticismo não é em relação à religião, tem a ver sim com a razão.
Que sempre prestou atenção no trágico pois seu trajeto foi e é trágico. Todos nós vivemos uma luta interna com o pecado, perdidos dentro de nós, andando em círculos.
No curso de Medicina ele já era um trágico, mas sem repertório(rsrs).
No dia em que chega à França para seu doutorado ocorre a morte de seu orientador e ele se vê orfão. (o trágico em sua vida novamente). Passa a estudar desde os céticos gregos, mais do cristianismo agostiniano até Nietzsche. Mas sua maior influência é mesmo Pascal. (Blaise Pascal).
Hoje é colunista da Folha de São Paulo e tem vários livros de sucesso publicados, entre eles : O homem insuficiente: Comentários de Psicologia Pascaliana (2001) e Conhecimento na desgraça: Ensaio da Epistemologia Pascaliana (2004), Crítica e profecia: filosofia da religião em Dostoiévski (2003), Do pensamento no deserto: Ensaio de Filosofia, Telogia e Literatura (2009) e Contra um mundo melhor: Ensaios do Afeto (2010), O Catolicismo Hoje (2011), Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (2012). Todos imperdíveis!!!!
É professor de Teologia Histórica na PUC.
Ainda se considera um ateu mas hoje com algumas vibrações.....

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

De Simone de Beauvoir para Nelson Algreen

Meu bem, amado, não sei porque esperei tanto tempo para lhe dizer que o amo.
Queria estar segura, não dizer palavras fáceis e vazias. Agora me parece que desde o início era o amor. Em todo caso, agora eu digo: é amor e meu coração sofre.

Estou feliz por estar tão infeliz, porque sei que você também está, e como é doce compartilhar essa tristeza. Com você o prazer foi amor, agora a dor também é amor, e será preciso que nos confrontemos com todas as faces do amor.""

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

As sem-razões do amor

As sem-razões do amor
Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

domingo, 18 de abril de 2010

O QUE ANDO LENDO?


HISTÓRIA SOCIAL DO JAZZ - ERIC HOBSBAWN - amantes do jazz, historiadores ou aspirantes à ambos irão gostar.
LEITE DERRAMADO - CHICO BUARQUE - qualquer pessoa que goste minimamente de ler vai gostar. Leitura fácil, fluente rápida, gostosa.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

As Palavras Andantes - Eduardo Galeano


Com Gravuras de J.Borges. Aí Bezerros cidade amada!


"Ninguém conseguirá matar aquele tempo, ninguém vai conseguir jamais: nem nós. Digo: enquanto você existir, onde quer que esteja, ou enquanto eu existir.

"Diz o almanaque que aquele tempo, aquele pequeno tempo, já não existe; mas nesta noite meu corpo nu está transpirando você."
"Desde que a viu, a vê. E não vê mais nada."

" E assim foi até que não foi mais."

" Houve uma vez que foi a primeira vez, e então o bicho humano ergueu-se e suas quatro patas se tranformaram em dois braços e duas pernas, e graças às pernas os braços ficaram livres e puderam fazer casa melhor que a copa da árvore ou a caverna do caminho. E tendo-se erguido, a mulher e o homem descobriram que é possível fazer amor cara a cara e boca a boca, e conheceram a alegria de olhar nos olhos durante o abraço de seus braços e o nó de suas pernas."


" [...]
- Mas não foi bem assim.
- E que é que diz que não foi?
- Deus.
- Ah.
- O Grão Cão.
- E você viu ele?
- Quem vê fica cego. Eu senti. Estava de costas e senti aquele sagrado todo. [...]"


"A fome come o medo. O medo do silêncio atordoa as ruas.
O medo ameaça:
Se você amar, vai pegar aids.
Se fumar, vai ter câncer.
Se respirar, vai se contaminar.
Se beber, vai ter acidentes.
Se comer, vai ter colesterol.
Se falar, vai perder o emprego.
Se caminhar, vai ter violência.
Se pensar, vai ter angústia.
Se duvidar, vai ter loucura.
Se sentir, vai ter solidão."



"A Igreja diz: o corpo é uma culpa.
A ciência diz: o corpo é uma máquina.
A publicidade diz: o corpo é um negócio.
O corpo diz: Eu sou uma festa."


" A mãe abnegada exerce a ditadura da servidão.
O amigo solícito exerce a ditadura do favor.
A caridade exerce a ditadura da dívida.
A liberdade de mercado permite que você aceite os preços
que lhe são impostos.
A liberdade de opinião permite que você escute aqueles que
opinam em seu nome.
A liberdade de eleição permite que você escolha o molho
com o qual será devorado."

domingo, 10 de janeiro de 2010

Quando a literatura me traduz

O pernambucano Osman Lins no conto Noivado

- Sua mãe procurava dar a impressão de mártir. De uma santa. Nunca vi alguém mais preocupado, neste mundo, em ter uma aparência angélica. [...] Nunca sabia nada, a ingênua. Tinha sempre a cabeça meio pendida, como a das imagens baratas, e as mãos cruzadas no regaço. Ignorava os escândalos mais notórios. Para fingir que não se ocupava dos assuntos alheios e ouvir mais uma vez, com novos pormenores, o que já sabia. Sempre admirando-se.
- Apesar dos pesares, era boa mulher e carinhosa comigo. [...] Insistia para que eu casasse. Contanto que ficasse em sua companhia.
- Sabia que mulher nunhuma aguentaria isto. Sua maneira oblíqua de atormentar era invencível.
- Não é piedoso falar assim dos mortos.
- Acho que, quando não se tem substância tudo é pretexto para negações.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Oh Brave new world !



Estou relendo Admirável Mundo Novo após 20 anos.
O livro é simplesmente fantástico.
Não me lembrava de muita coisa, claro.
Huxley escreveu o livro em 1931 e jamais poderia imaginar o quanto sua crítica à sociedade moderna seria cada vez mais atual durante todo esse tempo.

Estamos no ano 632 D.F. (depois de Ford)
Numa das passagens impressionantes do livro, o Sr. Selvagem pergunta à Sua Fordeza porque os livros de Shakespeare são proibidos. A resposta é impressionante:

- Ninguém entenderia Otelo.

- Mas, e se fosse algo novo com Otelo e que eles possam compreender?

- Se parecesse realmente com Otelo, ninguém poderia compreendê-lo, por mais novo que fosse. E, se fosse novo, não poderia de maneira alguma ser parecido com Otelo.

- Por que não?

- Porque o nosso mundo não é o mesmo mundo de Otelo. Não se pode fazer um calhambeque sem aço, e não se pode fazer uma tragédia sem instabilidade social. O mundo agora é estável. As pessoas são felizes, têm o que desejam, e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança; nunca adoecem; não tem medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem filhos, nem amantes, por quem possam sofrer emoções violentas; são condicionadas de tal modo que praticamente não podem deixar de se portar como devem. E, se por acaso, alguma coisa andar mal, há o soma.

- Tudo isso me parece absolutamente horrível.

- Sem dúvida. A felicidade real sempre parece bastante sórdida em comparação com as supercompensações do sofrimento. [...] E o fato de estar satisfeito nada tem da fascinação de uma boa luta contra a desgraça, ou de uma derrota total sob os golpes da paixão ou da dúvida. A felicidade nunca é grandiosa."

domingo, 1 de novembro de 2009

Tou ficando psíquica! Ontem assisti à 3 filmes. Sim, no mesmo dia.




Um Guy Ritchie: Snatch - Porcos e Diamantes - 2000 - Pense num filme excelente onde eu quase morro de rir com Brad Pitt fazendo um papel hilário de um cigano que ninguém entendia o que ele falava, além de Benício del Toro. Escrito e dirigido pelo ex de Madonna assim como o igualmente imperdível e excelente de 1998- Lock, Stock and Two Smoking Barrels (Jogos, Trapaças E Dois Canos Fumegantes) Se eu fosse você alugava os dois.



Um Quentin Tarantino: Cães de Aluguel ( Reservoir Dogs) - 1992 - Policial inteligente, da melhor qualidade, com a marca deste diretor impagável. Excelente. E assim como Alfred Hitchcock, Tarantino também sempre faz uma ponta em seus filmes o que nos deixa curiosos. Aguardo ansiosa a chegada na minha locadora de Bastardos Inglórios (Inglorious Bastards) também com Brad Pitt. Minha filha viu no cinema e disse que é algo de MEMORÁVEL.




E para finalizar um Clint Eastwood , A Conquista da Honra ( Flags of our Fathers) - 2006 drama de segunda guerra mundial em 1945. O objetivo é a ilha de Iwo Jima na batalha entre os Eua e Japão. Esta é a versão americana da histótia. Spielberg participa da produção.

Aliás, Clint aos 76 anos, filmou o outro lado da batalha, a versão vista pelo lado dos japoneses ou seja, ele dirigiu dois filmes de guerra no mesmo ano - 2006 - Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima ) . Este eu assisti no dia seguinte. Ufa. Os dois filmes se completam e são muito bons.


E, para não perder a prática acabo de ler 3 Saramagos em um mês: A Jangada de Pedra - onde a Península Ibérica se desprende do continente europeu e fica vagando pelos mares - O Evangelho segundo Jesus Cristo - onde Jesus aparece normal com defeitos e paixões - e O Homem Duplicado(esse além de ficção é suspense do bom) - onde o protagonista fica estarrecido ao assistir à um filme e constatar que um dos figurantes é idêntico à ele. Não gêmeo, mas a mesma pessoa - todos resultantes de meu apurado na "Bienal do Livro". Todos da Cia das Letras. Eu sou suspeita para falar de Saramago, é um dos meus ficcionistas preferidos, gosto imenso de lê-lo. Detalhe: os livros são em português de Portugal. O Nobel não permite tradução.


Diretamente da Fliporto li de Cássio Cavalcante a biografia Nara Leão - A Musa dos Trópicos (Companhia Editora de Pernambuco, 688 págs., R$ 50). Lançada por ocasião do aniversário de 20 anos da morte da cantora. Você devora o livro que nem sente o tempo passar. E quando acaba dá uma saudade........Rio de Janeiro nos anos 60 e toda aquela turma no apartamento de Nara ainda adolescente....pra quem gosta de Bossa Nova é leitura obrigatória.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

ROUBAVA LIVROS

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS DE MARKUS ZUSAK

TOU NO INÍCIO
MAS ACHO QUE VOU GOSTAR.
A PRINCÍPIO TOMEI UM SUSTO
PORQUE A NARRADORA É A MORTE.
LIDO PESSIMAMENTE COM ISSO.
QUASE DESISTO DE LER.
FOI UM CHOQUE.
DEPOIS PENSEI MELHOR
SERIA UMA OPORTUNIDADE
DE ME APROXIMAR DA MORTE
E ASSIM, QUEM SABE
FICANDO MAIS ÍNTIMA
PASSE A COMPREENDÊ-LA MELHOR
E ATÉ QUEM SABE GOSTAR DELA!
DEPOIS EU CONTO COMO FOI
NADA É POR ACASO.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Manoel de Barros - Auto-retrato

Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.

Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.

Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão,

aves, pessoas humildes, árvores e rios.

Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar

entre pedras e lagartos.

Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto

meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou

abençoado a garças.

Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que fui salvo.

Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.

Os bois me recriam.

Agora eu sou tão ocaso!

Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço coisas inúteis.

No meu morrer tem uma dor de árvore.


Manoel de Barros (1916) se firma cada vez mais como um de nossos maiores e melhores poetas, uma constante redescoberta das palavras:

Maior que o infinito é o incolor.
Eu sou meu estandarte pessoal.
Preciso do desperdício das palavras para conter-me.
O meu vazio é cheio de inerências.
Sou muito comum com pedras....

Manoel de Barros - Livro Sobre Nada - Reencontro com a POESIA

Aspirinas e cheiro de maresia, isso tem todo dia aqui em casa.

Mas confessso que tá faltando poesia . Livro Sobre Nada. Arrocha o nó:
*
*
*
Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
A inércia é o meu ato principal.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Por pudor sou impuro.
Não preciso do fim para chegar.
De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.
Do lugar onde estou já fui embora.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Reformando a casa mil vezes - Ulisses Tavares

Faço minhas as palavras do poeta Ulisses:

É tão certo como campainha tocando na hora do banho.
Bastou eu ter um problema pessoal começo a ter mil idéias para reformar a minha casa.
Levei um pé na bunda, fiquei com dor de cotovelo? Lá vou eu elaborando a planta de uma nova cozinha, chamando os pedreiros e quebrando tudo.
Projeto longamente acalentado não deu certo? Fácil. Só preciso planejar um novo puxadinho, uma nova laje, expandir a sala.
O livro novo que lancei não vendeu nem estourou como imaginava?
Nada que uma mexida cheia de cimento, ferro e tijolos não resolva.
Como tenho uma vida imensa de frustrações e construções, perdi a conta de quantas casas já construí e quantas reformas já fiz em todas.
Cada louco com sua mania. E um louco criativo tem mais manias que a média, claro.
Isso me ocupa, me preenche temporariamente e me nutre da tola certeza de estar resolvendo minha vida de maneira, literalmente, concreta.
Claro que nunca deu certo. Só consegui foi fugir de mim mesmo.
Mas é uma solução existencial tapa-buraco emocional.
Não faz muito gastei dois anos construindo uma casa no meio do mato. A imaginei, no final, cheia de gente, amigos, amor, quentinha. Nada disso. Acabei com um trambolho em que até eu mesmo tinha dificuldade de chegar, por ser tão longe. No começo, olhava a porteira e pensava: que bom estar aqui sem ninguém. No final, a porteira nunca aberta sinalizava que eu me isolara a toa. Justo eu, que gosto tanto, e preciso, estar rodeado de gente.
Demorei para aprender que minha Casa sou eu mesmo, meu corpo, minha alma, meus anseios e desejos. Varanda nova do mundo.
Agora, quero construir e reformar meu Eu.
Mas daí a coisa emperra. São tantas mudanças que nem sei por onde começar a planta básica.
Difícil ser arquiteto e construtor de si mesmo.

Ulisses Tavares é uma casa assombrada por fantasmas, passados e futuros. Para se defender, reforma o que pode, sem alicerce que aguente. Coisas de poeta.
Caros Amigos - janeiro de 2009
www.ulissestavares.com.br

segunda-feira, 16 de março de 2009

O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA - QUE FILME

CLARO QUE O LIVRO É MELHOR.
Gabriel Garcia Marquez pensou durante 3 anos antes de liberar a obra.
MAS A ATUAÇÃO COMO SEMPRE IMPECÁVEL - MESMO EM INGLÊS - DA FERNANDA MONTENEGRO, A TRILHA SONORA CAPRICHADA (SHAKIRA!), A COLÔMBIA NO SÉCULO XIX, FOTOGRAFIA E FIGURINO, ENFIM. E A HISTÓRIA DE AMOR? EU GOSTEI. DEMAIS.

terça-feira, 3 de março de 2009

Travessuras da menina má - é saudade o que sinto

"[.....] Bem, todo mundo tem seus períodos de neurastenia, em que prefere ser antipático para deixar bem claro seu desgosto com o mundo. [...]"




Saudade da menina má. Saudade do coisinha à toa.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Mario Vargas Llosa - Travessuras da menina má


Depois de ler 101 DIAS EM BAGDÁ, e me apaixonar pelo estilo "reportagem" da jornalista-autora, achei que devia ler O LIVREIRO DE CABUL, best seller da mesma. Não deu outra: muito muito bom! Um mergulho profundo na vida, no cotidiano das mulheres do Afeganistão. Tem passagens muito emocionantes para nós mulheres. Em determinados momentos cheguei a sentir um verdadeiro alívio por ter nascido "do lado de cá". Eu não teria suportado uma semana naquele lugar. Mas para quem viveu 101 dias no Iraque deve ter sido moleza.....
Agora estou literalmente me deliciando com Travessuras da menina má, do peruano Mario Vargas Llosa. Que livro delicioso! Como não se apaixonar pela "menina má"! Viajamos com os personagens através do tempo. Ai a Paris revolucionária dos anos 60! Neste momento estou na Londres hippie dos 70.... Com a palavra Ricardo, dá só uma olhada:
"Eu adorei Earl's Court, fiquei apaixonado pela sua fauna. O bairro cheirava a juventude, música, vida sem antolhos nem cálculos, grandes doses de ingenuidade, vontade de aproveitar o dia, rejeição da moral e dos valores convencionais em busca de um prazer que excluía os velhos mitos burgueses da felicidade - o dinheiro, o poder, a família, a posição, o sucesso social - e se encontrava nas formas mais simples e passivas de existência: a música, os paraísos artificiais, a promiscuidade e um desinteresse absoluto por todos os outros problemas que atingiam a sociedade. Com seu hedonismo tranquilo, pacífico, os hippies não faziam mal a ninguém; tampouco se metiam a apóstolos, que não queriam convencer nem recrutar a população com que tinham rompido para levar sua vida alternativa: só queriam que os deixassem em paz, absortos em seu egoísmo frugal e seu sonho psicodélico. Eu sabia que nunca seria um deles [...]. Eles eram extremamente simpáticos com seu pacifismo, seu naturismo, seu vegetariansmo, a esforçada busca de uma vida espiritual que desse transcendência à sua rejeição de um mundo materialista e corroído por preconceitos classistas, sociais e sexuais do qual não queriam nem saber. Mas tudo aquilo era anárquico, espontâneo, sem centro nem direção, sequer idéias [...]"
Tou lendo com pena porque quando acabar sentirei saudades.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

101 Dias em Bagdá - Asne Seierstad

Li pouco nestas férias. Não falo de revistas e jornais, mas livros.

Visitas, praia, passeios, e o resultado: li apenas dois livros.

O lado bom: foram dois livros S E N S A C I O N A I S !
101 Dias em Bagdá. A autora é uma jornalista correspondente de guerra. A mesma do best seller O Livreiro de Cabul. Esteve no Kosovo, Chechênia e Afeganistão. Estava no Iraque antes da chegada dos americanos. Ela narra o antes, o durante e o depois. Relata o que viu e viveu em Bagdá entre os meses de janeiro e abril de 2003. Faz uma crônica do cotidiano na Guerra do Iraque, mostrando como vivem os iraquianos, como reagem durante os bombardeios, suas opiniões sobre o regime deposto de Saddam Hussein, as expectativas em relação ao futuro e a censura à imprensa estrangeira. Trabalhando para oito órgãos de imprensa de oito países diferentes, todos o dias ela fazia transmissões ao vivo para televisões da Noruega, Holanda e Alemanha. Sempre em busca de histórias menos óbvias, procurou expor o universo do conflito além das manchetes. Mesmo proibida pelo ministério da informação, saia às ruas entrevistando pessoas, descobrindo o que acontece diante de situações-limite, quando as explosões interrompem o fornecimento de eletricidade, água e outros serviços essenciais. A autora traz à vida um elenco de personagens inesquecíveis, como Aliya, guia e intérprete que se tornou amiga. Descobriu personagens valiosos como o melancólico dono de uma livraria que, por conta da primeira invasão americana, em 1991, não dispunha de nada novo desde aquela data, frustrando fregueses fiéis como um fã de Jean Paul Sartre ou o rapaz disposto a descobrir se realmente era possível clonar humanos, como ouvira dizer. Asne contou também com a cumplicidade dos iraquianos, desde a dupla de motoristas Abbas e Amir até Kadim, funcionário do Ministério da Informação encarregado de controlar o período de permanência dos jornalistas no país.
Maurício de Nassau e o Brasil Holandes. Correspondência com os Estados Gerais.
Décimo segundo trabalho do já consagrado historiador pernambucano Fernando da Cuz Gouvêa, o livro nasceu de um artigo publicado em 1979 no nº 51 da Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. (Aliás essa fabulosa revista voltará a ser publicada pela CEPE). Com uma pesquisa profunda e meticulosa ele não apenas apresenta a correspondência do conde-governador do Brasil Holandês com os diretores da Companhia das índias Ocidentais na Holanda´, como analisa o contexto da chegada, os motivos da partida e os sete anos de permanência na Mauritsstad. É apaixonante ler sobre aquele nobre alemão de 33 anos de idade com propósitos tão definidos e decisões militares inteligentes. O livro descreve a chegada do conde, com sua comitiva de artistas, intelectuais e cientistas. Trouxe para o Brasil propósitos de civilização, não se conformando com a exploração pura e simples. As cartas se sucedem e ficamos sabendo pormenores. Como o aviso que Nassau deu aos holandeses do perigo iminente. Portugueses e nativos se uniam preparando a sublevação. Bom, muito bom!

sábado, 11 de outubro de 2008

Leitura instigante... para dar tratos à bola e admoestar as idéias


"A maioria das pessoas é outra pessoa. Seus pensamentos são as opiniões de outra pessoa, suas vidas uma mímica, suas paixões uma citação." Oscar Wilde




Paul Arden idem:

*

*
"NÃO EXISTE UM PONTO DE VISTA CERTO.

*
Existe um ponto de vista convencional ou popular.
*
Existe um ponto de vista pessoal.
*
Existe um ponto de vista amplo que a maioria compartilha.
*
Existe um ponto de vista insignificante que apenas poucos compartilham.
*
Mas não existe um ponto de vista certo.
*
Você está sempre certo.
Você está sempre errado.
*
Depende apenas do ângulo a partir do qual você é olhado.
*
Avanços em qualquer campo baseiam-se em pessoas com o ponto de vista insignificante ou pessoal."

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O que ando lendo?

O livro: Os Segredos de Rennes-le-Château
Leio despretensiosamente, por curiosidade e na busca pura e simples de entretenimento. Desta forma estou me divertindo bastante e imaginando inúmeras possibilidades de resoluções para tantos mistérios! Tchan Tchan Tchan Tchannn........


A Cidade no interior da França: mistério.





Lionel é um sacerdote anglicano de uma igreja em Cardiff - Gales e é também um renomado palestrante pesquisador e autor de vários livros e Patricia Fanthorpe é sua esposa, trabalham juntos nas pesquisas. Sua história de Rennes-le-Château é tão envolvente quanto qualquer conto repleto de enigmas a respeito de tesouros enterrados, assassinatos misteriosos, poderes sobrenaturais, códigos deixados em pergaminhos e lápides, simbolismos arcanos em estátuas, quadros de obras de arte, sacerdotes enigmáticos que enriqueceram de modo misterioso e associações com fraternidades ocultas e tradições secretas. A pesquisa dos Fanthorpe inclui: sua relação com a linhagem de sangue merovíngia de Jesus Cristo; sua disposição e localização mística sobre o mesmo meridiano de Paris; a possível localização de um enorme tesouro que pode ter origem nos Templários, nos cátaros ou no Priorado de Sião; o lugar do esconderijo de famosos artefatos, como a Arca da Aliança, a Lança de Longinus, a Tábua de Esmeralda de Hermes e até mesmo o Santo Graal; e a proximidade dos fortes dos cátaros e dos Templários. Com a possível exceção de Rosslyn, na Escócia, nenhum outro lugar em nosso planeta possui tanto simbolismo e mistério esotéricos quanto Rennes-le-Château. Sua localização, disposição geográfica e história são temas de inúmeros boatos, mitos e lendas.
Esta obra está entre os melhores livros a respeito das lendas do Graal, da linhagem de sangue de Cristo e de diversos lugares lendários. Lionel e Patricia Fanthorpe passaram anos pesquisando e escrevendo a respeito de mistérios ocultos e são membros importantes de uma Ordem Templária contemporânea. Eles compartilham o fascínio por enigmas não resolvidos da vida real.
Os Mistérios do Tesouro dos Templários e do Santo Graal aprofunda-se na investigação dos fatos reais por trás dos contos relacionados em trabalhos de ficção como O Código Da Vinci, de Dan Brown, e O Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco.

sábado, 16 de agosto de 2008

Como ser FELIZ - parte IX, o retorno






“Para mim, o próprio objetivo da vida é perseguir a felicidade. Isso está claro para mim. Todos querem ser felizes. O propósito de todos os seres vivos e de todas as religiões é buscar a felicidade”, Dalai Lama.


Ser feliz é a busca maior de todo ser humano. Seja por meio do amor, de um bom emprego ou de dinheiro. Cada pessoa tem a sua fórmula pré-determinada para a felicidade. Mas, na maioria das vezes, essa busca não tem fim e, apesar de conseguir tudo o que deseja, o ser humano não consegue ser feliz na plenitude.

Para o budismo, o sofrimento está ligado ao três venenos-raiz da mente: lobha (desejo, apego), dosa (aversão, ódio) e moha (ignorância, cegueira).

A psicóloga e escritora Bel Cesar, autora do livro “Mania de Sofrer” (Editora Gaia), disse que cada veneno está ligado ao outro. “Por ignorância, atribuímos ao mundo exterior uma qualidade de solidez, e assim, acreditamos poder possuí-lo. Isto nos leva a sentir desejo, pois passamos a crer que poderíamos desejar algo e obtê-lo sob nosso domínio. Quando percebemos que tudo não é permanente e que nada é possível de ser possuído, sentimos aversão”, explicou.

Buda acreditava que tudo na vida leva ao sofrimento. Em seu primeiro sermão depois da iluminação, ele apresentou as quatro nobres verdades: existe sofrimento; o sofrimento tem causas; o sofrimento tem um fim e existe um caminho para finalizar o sofrimento.

Monja Coen, missionária oficial da tradição Soto Shu – Zen Budismo, em São Paulo, disse que a dor vem da incoerência. “A separação da verdade traz sofrimento. É não aceitar a realidade e querer que a vida seja diferente”, disse.

Rosana Biondillo, professora de São Paulo, e autora do blog http://www.yogablog.zip.net/ afirmou que as pessoas sofrem por não se conformarem com a vida. “A não-aceitação da realidade da vida é que traz a dor. Se você não aceita, não consegue resolver as questões”, falou.

Como acabar com o sofrimento?

Sofrer significa a insatisfação com as experiências nas quais vivemos. Bel Cesar afirmou que o problema das pessoas é que elas buscam algo que não existe. “Quando compreendemos que nossas expectativas estão baseadas em carências insaciáveis, começamos a entender como entramos e saímos das tramas de nossos conflitos emocionais”, comentou. Se o desejo e o apego forem extintos, o sofrimento deixa de fazer parte da vida. Para se livrar das causas do sofrimento, é necessário um pouco de esforço. Na visão budista, para se alcançar a libertação do “eu”, deve-se andar no caminho do meio ou o nobre caminho óctuplo. Esse caminho óctuplo compreende oito verdades: compreensão correta, pensamento correto, fala correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta e concentração correta.

“É necessário manter uma inabalável determinação. O esforço para não desanimar tem que ser constante, pois costumamos desistir quando algo se mostra além de nossas possibilidades imediatas”, comentou Bel César.

Monja Coen atentou para a perseverança no caminho da libertação. “Não devemos desistir. Se cairmos sete vezes, levantamos oito. Insista”, disse a monja, que também falou que a felicidade não vem do nada. “É preciso ter a intenção de mudar para conseguir algum resultado. Não adianta querer ser feliz sem mudança”, completou.

No Yoga, o apego é uma das principais causas do sofrimento. Mas desapegar não significa largar tudo. “Você não deve ser uma pessoa largada, sem sentimentos, que não liga para nada. Desapegue, mas conscientemente. Apenas deixe de dar tanta importância a tudo”, comentou Rosana, que também afirmou que não existe pessoa sem desejos. “É muito difícil alguém não ter desejos. Reconheça o desejo e trabalhe com esse conceito. E preste atenção se você não está fazendo da sua vida esse desejo”, orientou.

Autoconhecimento.
Se você reconhece seus defeitos, erros e sentimentos, fica mais fácil trabalhar para o fim daquilo que causa dor. “Se você tem ódio de alguém, não negue. Reconheça esse sentimento e descubra a razão dele. Assim, você consegue perdoar a pessoa e deixa de sofrer, pois essa raiva só traz dor a você”, disse Rosana.Bel completou que a aceitação é imprescindível à felicidade. “A segurança interna surge à medida que nos posicionamos diante da dor. Não adianta fingir que não estamos sofrendo. Aceitar o impacto da dor ajuda a acessar a sabedoria intuitiva”, disse. Para se conhecer, a meditação é a melhor maneira. “Medite para trazer o autoconhecimento e a transcendência de si mesmo. Sinta o seu “eu”, entre no seu interior. Só assim você consegue mudar”, disse a missionária budista. Depois de reconhecer o que aflige, comece a praticar o desapego ao próprio sentimento. “No mesmo instante em que aceitamos a dor emocional, estamos prontos para renunciar por ela”, refletiu Bel. Não se cobre demais se as coisas deram erradas. Faça o que você pode naquele momento. Tentar ser perfeito o tempo todo gera frustrações que podem tirar o seu bom humor. “Descomplique a vida e tudo será mais fácil. Pense positivo. Veja a vida de uma maneira mais simples e aprecie as coisas comuns, como um dia bonito ou o sorriso de uma criança”, orientou Biondillo. E tente tirar o foco dos problemas para conseguir enxergar o lado bom da vida. “Temos a capacidade de ajustar o pensamento. Tente não estimular o negativo. Transforme as coisas ruins em coisas produtivas e não fique afirmando o que te faz sofrer”, orientou Coen.